sexta-feira, 7 de maio de 2010
Associação de Estudantes do Externato Marista de Lisboa
Associação de Estudantes
Uma Associação de Estudantes de uma escola ou faculdade é uma associação formado por um grupo de alunos eleitos pela população dessa instituição e que tem como principal função representar os interesses da população estudantil.
Quais são os órgãos que constituem uma Associação de Estudantes?
Geralmente, a Associação de Estudantes de uma escola é constituída por três órgãos:
- A Direcção (órgão composto no mínimo por três elementos (um presidente, um secretário e um tesoureiro) e que tem como principal função gerir a associação)
- A Assembleia Geral (órgão dirigido por uma Mesa e composto por elementos eleitos para o efeito ( no mínimo, um presidente, um vogal e um secretário. Este órgão tem várias funções, entre as quais aprovar o plano de actividades, a alteração dos estatutos e o relatório de actividades )
- O Conselho Fiscal (órgão composto no mínimo por três elementos ( um presidente, um secretário e um relator) e a quem compete controlar as contas da associação)
A Direcção e o Conselho Fiscal devem ser constituídos por um número ímpar de elementos, dos quais um será o Presidente.
Quais são os passos para se criar uma Associação de Estudantes?
Para se criar uma Associação de Estudantes numa determinada escola ou faculdade, é necessário realizar vários passos. São eles os seguintes:
- Fazer uma reunião informal: reúne-se um grupo de amigos, com objectivos ou interesses em comum, que devem começar a pensar sobre o que pretendem para a vossa associação.
- Realizar um Projecto de Estatutos: Na reunião informal, as pessoas que desejam candidatar-se à Associação devem elaborar um projecto de estatutos. Este projecto nada mais é do que as regras da associação que terão de ser cumpridas pelos mesmos.
- Escolher o nome para a Associação:As pessoas que querem formar a associação devem dar um nome à mesma para que esta seja reconhecida oficialmente. Deve-se escolher sempre cinco ou seisnomes possíveis, pois tem de se ir ao Registo Nacional de Pessoa Colectiva para se verificar se algum desses nomes já foi atribuído a uma associação.
- Convocar uma Assembleia Geral: Quando o grupo de pessoas já tem o projecto de estatutos e o nome da associação, deve-se convocar com todos os elementos do grupo, a primeira assembleia geral. Nesta assembleia, deverão participar pelo menos vinte associados. É nesta assembleia que deverão ser eleitos os elementos dos órgãos sociais (Assembleia Geral, Direcção e Conselho Fiscal). Depois da Assembleia, deve ser elaborada um acta desta evento, assinada por todos os elementos presentes, pois será necessária para a legalização da associação.
- Ir ao Registo Nacional da Pessoa Colectiva: Com a acta da Assembleia Geral, os Estatutos e os Bilhetes de Identidade dos elementos dos órgãos da Associação, o Presidente da suposta associação deve dirigir-se ao Registo Nacional de Pessoa Colectiva e inscrever a sua associação para que a esta seja atribuído um número fiscal. O Presidente da associação deve ainda requerer um certificado de admissibilidade de firma ou denominação
- Formar a personalidade jurídica: Depois de obter o número fiscal, o Presidente da Associação deverá dirigir-se à Delegação Regional do Instituto Português da Juventude da área da sede da sua associação e solicitar a apreciação da legalidade e a publicação dos estatutos. Para o efeito deverão ser entregues os seguintes documentos:~
- Programa de Estatutos;
- Acta da Assembleia Geral (assinada por pelo menos 20 associados);
- Certificado de admissibilidade de firma ou denominação.
7. Ir ao Registo Nacional de Associações Juvenis: Para que uma Associação de Estudantes seja considerada uma associação juvenil, a pessoa nomeda para Presidente da mesma tem de a inscrever no Registo Nacional de Associações Juvenis (RNAJ) junto do Instituto Português da Juventude. Entre outros requisitos, a associação terá que ter:
- 75% dos associados com idade igual ou inferior a 30 anos;
- No órgão executivo (Direcção), pelo menos 60% de membros têm de ter menos de 30 anos.
- Por outro lado, a Associação deverá desenvolver durante o seu período de actividades que resultem do seu carácter juvenil.
Depois de serem realizados estes passos, está oficialmente formada e legalizada uma Associação de Estudantes.
Decretos-leis relativos à formação de uma Associação de Estudantes
De seguida, iremos apresentar uma hiperligação para um decreto-lei publicado em 1987 pela Assembleia de República e que regulamenta o próprio funcionamento das Associações de Estudantes, indicando as funções, os direitos e deveres das mesmas. Este decreto é ainda hoje muito importantes para a formação de todas as listas que se candidatam à Associação de Estudantes das instituições de ensino portuguesas.
Iremos também apresentar uma hiperligação para o decreto lei nº23/35 de 23 de Junho de 2006 que fala sobre o associativismo juvenil nas instituições de ensino.
Decreto-lei 23/36: http://www.dre.pt/pdf1sdip/2006/06/120A00/44584466.PDF
Esperemos que os dados disponibilizados por nós vos tenham sido úteis e vos tenham ajudado a perceber melhor o próprio funcionamento e a própria estrutura de uma Associação de Estudantes.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Partido Popular (CDS-PP)
- Colocação de perguntas sobre a origem do Partido
- Colocação de perguntas sobre os valores originais e actuais do partido
- Colocação de perguntas sobre a evolução do resultado dos votos do CDS-PP
- Colocação de perguntas sobre a influência da abstenção nos resultados do partido
- Colocação de perguntas sobre a adesão dos jovens ao partido
- Colocação de perguntas sobre medidas efectuadas pelo partido para angariar mais simpatizantes e militantes
Conclusões da entrevista
1-História do partido
A data de formação do CDS-PP remonta a 19 de Julho de 1974. Os principais impulsionadores deste partido de entre os trinta fundadores originais foram Adelino Amaro da Costa, Diogo Freitas do Amaral, Xavier Pintado e Basílio Horta.
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2- Valores originais e actuais do partido
No início, a ideia dos fundadores do partido era criar um partido de base democrata-cristã que não se localizasse ideologicamente à esquerda, visto que, naquela altura, todos os partidos existentes se afirmavam de esquerda. O CDS (Partido de Centro Democrático e Social) seria então um partido que, embora não fosse de direita, seria o partido português mais à direita. Nos anos 90, o programa do partido sofreu algumas modificações pelo que este começou a assumir-se mais de direita. Hoje em dia, o partido mantém os ideais originais, embora tenha sofrido algumas alterações de programa.
3- Evolução dos votos
Quanto à questão da evolução dos resultados, o CDS sente-se bastante optimista, devido ao crescimento positivo destes resultados. Até ao final dos anos 70, verificou-se uma subida dos votos até aos 12%. Nos anos 80 (1984), estes resultados foram alvo de uma descida e, a partir daí, têm vindo a subir e a descer constantemente. Na actualidade, os resultados do partido estão em crescente expansão com Paulo Portas.
4- Influência da abstenção
Em primeiro lugar, a abstenção afecta a qualidade da democracia, pois, se há grande parte do eleitorado a não votar, a base de apoio do governo é substancialmente mais fraca e há menos pessoas a exprimir a sua vontade.
5- Adesão dos jovens
Desde a sua formação, o CDS-PP tem acolhido muito apoio junto da população jovem. Por isso mesmo é que a sua juventude, a Juventude Popular ( antiga Juventude Popular) tem muitos membros com menos de 40 anos.
6- Medidas para chegar às pessoas
A participação que o partido sente por parte dos jovens está directamente ligada com as novas tecnologias. Nos últimos 2 anos o partido tem verificado uma crescente participação dos jovens através das redes sociais como o “Facebook”. Existe uma maior acessibilidade dos jovens para a discussão virtual, porque estes não precisam de sair de casa para o fazerem.
Figura 71-Diogo Freitas do Amaral, um dos fundadores do CDS-PP e uma as figuras mais importantes do partido
Figura 72- Evolução dos votos do CDS-PP desde as eleições legislativas de 1975
Partido Social-Democrata
No passado dia 24 de Fevereiro de 2010, o nosso grupo deslocou-se até à sede da JSD na Rua de Buenos Aires, n 28 – 1º andar, na freguesia da Lapa, em Lisboa, a fim de falar com o Doutor André Pardal, vogal da Comissão Política Nacional da JSD. A entrevista decorreu com base em cinco actividades:
1-Colocação de perguntas sobre a origem do Partido/Juventude;
2- Colocação de perguntas sobre os valores originais e actuais do partido
3-Colocação de perguntas sobre a influência da abstenção na vida do partido e na política nacional
4- Colocação de perguntas sobre a adesão da juventude ao PSD e à JSD
5-Colocação de perguntas sobre as medidas efectuadas pelo partido e pela juventude para angariar mais simpatizantes e militantes
E, não havendo mais nada a tratar, deu-se por encerrada a entrevista.
Conclusões da entrevista
O PSD foi fundado em 5 de Maio de 1974, ano da Revolução de Abril, e surgiu como PPD – Partido Popular Democrático. Caracteriza-se por ser um partido social-democrata com uma vertente humanista, ou seja, centrado na pessoa. Assim sendo, desde a sua formação que o PSD pretendeu assumir-se como não socialista.
O PSD foi o primeiro partido a assumir-se como concentrador de várias correntes distintas ( é, por isso, um partido pluralista, que aceita que os seus militantes tenham diferentes opiniões e posições ideológicas).
Actualmente, no seu seio, englobam-se liberais, conservadores e católicos. Este partido assume-se, assim, como um partido de massas, ou seja, pretende angariar o maior número possível de militantes e de apoiantes.
2- Valores do partido
Os valores mantêm-se os mesmos mas a forma de os comunicar e aplicar evolui com a sociedade. Esta evolução explica-se com a normalização democrática de que o país tem sido alvo mas, apesar de o país estar num período revolucionário quando o partido se formou, o PSD nunca foi radical
3-Evolução dos votos
Podemos dizer que a evolução da percentagem de votos do PSD nas eleições nacionais não tem sido regular.
De 1975 a 1976, diminuiu, de 1976 a 1980 aumentou, de 1980 a 1983 diminiu de novo, de 1983 a 1991 aumentou de novo, de 1991 a 1999 diminuiu , de 1999 a 2002 aumentou, de 2002 a 2005 diminuiu e, de 2005 a 2009, aumentou. Assim sendo, podemos concluir que a popularidade do PSD junto da população portuguesa tem variado desde o 25 de Abril ( às vezes, o PSD, sozinho ou coligado, tem vítórias esmagadoras nas eleições legislativas mas, outras vezes, a sua popularidade baixa e o PS fica em 1ºlugar).
4- Influência da abstenção
A abstenção é uma questão que preocupa muito os partidos, em particular os dois maioritários.
Apesar de ser uma questão preocupante, o PSD acredita que a abstenção é uma situação mais ou menos normal, visto ser um sinal da maturidade democrática (com o passar do tempo, a população passa a ter o voto como uma realidade comum e tende a desvaloriza-lo).
A questão que a abstenção levanta aos partidos é se estes estão a comunicar bem as suas mensagens e se estão a agir bem. A abstenção provoca assim uma reflexão de consciências.
Para além disso, o partido crê que a abstenção prejudica a qualidade da democracia e todos os partidos.
5- Adesão dos jovens
O PSD possui uma juventude que funciona de acordo com a ideologia do partido. Este órgão chama-se Juventude Social-Democrata.
A JSD , da qual faz parte o nosso entrevistado André Pardal, nasceu em Julho de 1974e é uma organização de juventude que pretende ser a representante dos jovens dentro do partido.
Pela grande adesão dos jovens à JSD, os militantes dos 14 até aos 18 anos são exclusivamente parte integrante da JSD e, dos 18 até aos 30 anos, fazem a pertencer em simultâneo tanto à JSD como ao próprio PSD.
Segundo a JSD, os jovens não estão afastados da política. Pelo contrário, gostam de política e participam no associativismo. Por associativismo entende-se as associações de estudantes, os grupos desportivos, etc. O que se verifica é que os políticos se afastaram progressivamente dos jovens pois as medidas que lhes dão apoiantes são as que se direccionam para o “grosso” do eleitorado.
6- Medidas para chegar às pessoas
A JSD, por ter uma atitude irreverente e contestatária ( podendo até ser divergente do partido em determinados momentos) pretende sobretudo tornar-se conhecida cada vez mais cedo pelos jovens.
Para este efeito, a JSD dá formação política a toda a gente interessada. Normalmente, os responsáveis por esta actividade dirigem-se às escolas secundárias, a convite das próprias, e através de várias actividades tentam sensibilizar os jovens para a política. O programa chama-se Formação Sub-18 e não tem implícita propaganda política, pelo que se trata de uma formação abrangente. Outras formas de actuação da JSD são as campanhas dirigidas à juventude que têm sempre a preocupação de serem irreverentes.

Figura 68- Imagem de um cartaz de propaganda a Aliança Democrática ( PSD+CDS+PPM), coligação chefiada por Francisco de Sá Carneiro que se candidatou às eleições de 1979

Figura 69-Pedro Passos Coelho, o actual Presidente do CDS-PP

Figura 70- Evolução da percentagem de votos do PSD nas eleições legislativas desde 1975
Movimento Esperança Portugal
No dia 5 de Fevereiro de 2010, entre as 15:30 e as 16:30, tivemos uma entrevista na sede nacional do Movimento Esperança Portugal (MEP), na Travessa das Pedras Negras, na freguesia da Madalena, em Lisboa. A pessoa entrevistada foi o Doutor Rui Nunes da Silva, o Secretário-Geral deste partido. Esta entrevista decorreu de acordo com as seguintes actividades:
- Colocação de perguntas sobre a origem do partido
- Colocação de perguntas sobre os valores iniciais e actuais do partido
- Colocação de perguntas sobre os resultados do partido nas primeiras eleições legislativas em que participaram ( eleições de 2009) e nas eleições europeias do mesmo ano
- Colocação de perguntas sobre a influência que a abstenção tem nos resultados do partido
- Colocação de perguntas sobre a adesão dos jovens ao partido
- Colocação de perguntas sobre as medidas efectuadas pelo partido para chegar às pessoas
E, não havendo mais nada a tratar, deu-se por encerrada a entrevista.
Conclusões da entrevista
1-História do partido
O Movimento Esperança Portugal (MEP) nasceu de um movimento cívico criado no final de 2007. Este movimento cívico não era mais do que um grupo de cidadãos que não viam os seus ideais representados nos partidos políticos portugueses e que teve necessidade de criar um movimento que defendesse os seus interesses.
Inicialmente, o Movimento Esperança Portugal não era considerado um partido e era apenas um organismo formado por quatro círculos concêntricos. Este organismo foi criado, portanto, como um movimento cívico que, apesar de tudo, evoluísse com o passar do tempo para um partido.
O fundador do MEP foi o Doutor Rui Marques, um médico e doutorado em comunicação social que foi secretário-geral do Centro Universitário Padre António Vieira, membro da Comissão Nacional de Juventude da Candidatura de Freitas do Amaral à Presidência da República ainda como estudante universitário e, em 1994, colaborador do governo de António Guterres.
Já em 2008, os membros do MEP tentaram organizar-se para que este movimento fosse reconhecido como um partido. Para isso, era preciso reunir 7500 assinaturas no Tribunal Constitucional, objectivo pelo qual os membros deste movimento lutaram ao longo deste ano.
Ao mesmo tempo, também se constituiu um pequeno secretariado executivo com o principal objectivo de elaborar o programa político e social deste movimento.
No dia 3 de Março de 2008, o MEP deixou de existir clandestinamente como movimento. Isto só aconteceu porque os membros deste partido organizaram em Fevereiro de 2008 o “ Manifesto Razão de Esperança”, no qual já estavam contidos os principais objectivos e os raios de acção deste movimento.
Em Março de 2008, os membros do MEP decidiram também tentar reunir as 7500 assinaturas necessárias para que o movimento fosse reconhecido no Tribunal Constitucional até ao Verão. Contudo, em Maio de 2008, já se tinham reunido 10 000 assinaturas e este movimento de inicialmente 60 pessoas já possuía 100 membros. Assim sendo, as assinaturas foram entregues no Tribunal Constitucional e, no dia 23 de Julho de 2008, o MEP foi oficialmente reconhecido como partido.
Em Outubro de 2008, o partido teve de organizar o seu primeiro congresso para eleger o seu presidente, os seus representantes e a sua estrutura interna. Neste congresso, ficou decidido que o presidente do MEP seria o Doutor Rui Marques e que o partido iria possuir uma direcção de 14 pessoas, uma mesa de congresso de 5 pessoas e um conselho de direcção próprio e que iria ser autónomo.
Para além disso, neste congresso, ficou decidido o primeiro programa ideológico do MEP e que este partido iria ter uma estrutura achatada (ou seja, iria ser dividido por núcleos compostos por temas ou regiões, em vez de ser dividido por distritais e concelhias). Assim sendo, este partido, ao contrário dos outros partidos, não iria ter uma estrutura hierarquizada e haveria uma melhor comunicação entre os órgãos do mesmo.
Em 2009, ano em que ocorreriam as eleições europeias, legislativas e autárquicas, o MEP decidiu concorrer a estes três actos eleitorais e estabelecer alguns objectivos para os mesmos.
Primeiro que tudo, este partido desejou obter pelo menos 80 000 votos nas europeias para ter representação no Parlamento europeu. Para isso, escolheu-se a Doutora Laurinda Alves para candidata a estas eleições e estabeleceu-se uma lista para 24 possíveis candidatos a este órgão. Elaborou-se também o programa das europeias com base no “ Manifesto Razão de Esperança”, o primeiro manifesto realizado pelo MEP.
Outro objectivo definido pelo MEP para 2009 era ter representação no Parlamento português. Para isso, antes das legislativas, o MEP realizou um programa de candidatura com medidas concretas e apresentou uma lista de 280 candidatos a deputados.
Para as eleições autárquicas, este partido estabeleceu como objectivo mínimo eleger um deputado para a Câmara Municipal do Porto e outro na Câmara Municipal de Lisboa. Contudo, este partido esperava ainda estar representado na Câmara Municipal de Aveiro). Por isso mesmo, o MEP só apresentou candidatura para as câmaras municipais destas três principais cidades.
Contudo, nenhuns dos objectivos estabelecidos pelo MEP para 2009 foram cumpridos: nas eleições europeias, este partido obteve apenas 55 000 votos (e não os 80 000 votos necessários para se eleger um deputado), nas eleições legislativas, obteve apenas 25 000 votos, que foram insuficientes para eleger um deputado por Lisboa e um pelo Porto, e, nas eleições autárquicas, nenhum dos candidatos do partido foi eleito. Consequentemente, actualmente, o MEP é um partido sem representação junto dos órgãos de poder e não tem qualquer funcionamento público.
Em Março de 2010, de forma a obter um maior número de votos nas próximas eleições, o MEP realizou um novo congresso para redefinir os seus objectivos e obter financiamento público.
2- O MEP ainda mantém os seus valores originais?
Actualmente, o MEP mantém os seus princípios e valores originais que estão contidos no seu programa ideológico. Estes princípios são os seguintes:
A criação de uma ideologia comum a todas as pessoas e de uma mesa comum com lugar para todos (a afirmação prática e concreta da justiça social; a distribuição equitativa dos recursos; a promoção da igualdade de oportunidades; o respeito pela dignidade de cada um; a inclusão de todas as gerações; a protecção e reintegração dos mais vulneráveis; o combate à disciminação; a promoção dos direitos humanos)
A criação de uma sociedade de famílias (a importância da família como unidade celular da sociedade; a melhoria da educação; a exigência da conciliação do trabalho com a vida familiar)
A criação de uma cultura de pontes (a tolerância, o diálogo intercultural e inter-religioso, contextualizados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem; o respeito pelo Outro; a cultura da negociação para vitórias comuns; a elaboração de contratos sociais de médio ou longo prazo que atravessem ciclos políticos e mobilizem os cidadãos)
O apoio ao desenvolvimento humano sustentável (a afirmação do desenvolvimento humano; a valorização do trabalho e da acção humana como contributo para o desenvolvimento individual e colectivo; a aposta na criatividade e na inovação para uma maior realização humana; a sustentabilidade através do bom uso dos recursos, da solidez das empresas e da ética dos negócios; a economia de mercado regulada para o serviço do bem comum; a valorização do empreendorismo a todos os níveis; a defesa do bem comum)
A luta por uma democracia mais próxima dos cidadãos ( a criação de subsídios como base da governação da sociedade; a transparência política; o apoio à participação e discussão política em todas as idades; a dignificação da política)
A solidariedade intergeracional ( necessidade de assegurar o futuro às novas gerações, garantindo-lhes educação e formação adequada, mas também protegendo os recursos naturais e contrariando acções humanas que possam contribuir para o desequilíbrio ecológico; o apoio à terceira idade; a valorização do envelhecimento activo e socialmente integrado; o reforço da cidadania sénior)
A criação de um mundo interdependente e solidário ( a afirmação de um comércio global justo; a defesa dos interesses dos mais pobres; o combate às redes transnacionais de grande crime; a viabilidade da mobilidade humana protegida com vantagens para todas as partes; uma política externa que defenda os direitos humanos e o direito dos povo à auto-determinação, à liberdade e à paz)
Estes são os principais princípios defendidos pelo MEP desde o início, que, apesar de serem ambiciosos, são causas pelas quais se deve lutar. Porque o MEP acredita que “ Melhor é possível”.
3- Evolução dos votos
Como o MEP é um partido criado em 2008, ainda só concorreu às eleições europeias, legislativas e autárquicas de 2009. Assim sendo, não podemos determinar a evolução dos votos do partido. Contudo, o MEP espera, através da reformulação do partido e da criação de campanhas que informem os cidadãos, angariar mais votos nos próximos actos eleitorais.
4- A abstenção influencia os resultados eleitorais do partido?
Para o MEP, os elevados valores de abstenção que se verificam actualmente em Portugal são uma frustração, pois o partido faz tudo para ter visibilidade na sociedade portuguesa, apesar de não ter chegado a um grande número de pessoas por ainda não dispor dos meios disponíveis para tal.
No entanto, nos anos 2008 e 2009, o MEP chegou a mais de 25000 pessoas, embora grande parte dessas pessoas não tenham votado no MEP nas eleições ou se tenham abstido nas mesmas.
Para este partido, a maior frustração de todas sai os votos brancos e nulos das pessoas que vão votar, pois consideram que o número de votos nulos e brancos nas últimas eleições legislativas (170 000) foi muito elevado.
Outra frustração para o MEP é o voto útil, pois este foi a principal causa da descida de 55 000 para 25 000 votos neste partido das eleições europeias para as legislativas. Isto acontece porque o MEP é o segundo partido de muita gente que, contudo, no momento do acto eleitoral, não votam nele, mas sim no seu partido preferido.
5-A adesão dos jovens ao MEP
O MEP é um partido com muitos jovens e que encontra sobretudo uma grande adesão no público jovem urbano.
De facto, a maioria dos membros das mesas de voto do MEP são jovens pertencentes ao eleitorado jovem urbano, pois é difícil para a geração adulta actual, que passou pelo 25 de Abril, ainda aceitar este partido.
Os jovens são também os que mais aderem ao MEP pois têm liberdade cívica e de voto e não sentem a necessidade de votar nos grandes partidos negligenciando os mais pequenos.
Este partido encontra uma forte adesão no eleitorado jovem até aos 35 anos e uma adesão média dos 35 aos 45 anos.
Assim sendo, podemos concluir que o MEP é um partido muito inovador e moderno que, precisamente por isso, capta uma percentagem muito significativa da população jovem portuguesa , principalmente os jovens que vivem nos centros urbanos.
6- Medidas para chegar às pessoas
O MEP tem procurado cada vez mais chegar às pessoas de forma inovadora, utilizando para isso novas tecnologias para sensibilizar a população. Para sensibilizar os mais jovens, este partido procura utilizar sobretudo as novas tecnologias e os fóruns sociais ( Facebook, Hi5 e Twitter, principalmente).
Para o eleitorado com mais idade, este partido procura elaborar políticas que cheguem mais às pessoas, como a solidariedade intergeracional, e tenta utilizar também os novos meios de comunicação para chegar à população adulta ( o MEP não existe na televisão mas existe na Internet e nos blogues e, por isso, pode também ser divulgado pela população de mais idade que saiba usar as novas tecnologias).
Todas estas medidas se destinam a angariar mais apoiantes para o MEP e a tornar este partido mais importante dentro da própria sociedade portuguesa.
Figura 66- Simbolo do Movimento Esperança Portugal
Figura 67- Cartaz de apoio a Laurinda Alves, a cabeça de lista do MEP nas eleições europeias de 2009
terça-feira, 4 de maio de 2010
Partido Socialista
No entanto, como o Partido Socialista é um dos cinco principais partidos portugueses, decidimos deixar-vos alguns dados referentes ao mesmo neste blogue.
1-Origem do partido
O Partido Socialista foi fundado em 1973 e derivava da Acção Socialista Portuguesa (ASP), uma organização não-partidária fundada em Novembro de 1964 em Genebra por Mário Soares, Manuel Tito de Morais e Francisco Ramos da Costa. Até à queda do Estado Novo, a ASP não angariou muitos apoiantes na uma organização popular, por ter pouco apoio e por funcionar na clandestinidade.
Em 19 de Abril de 1973 os apoiantes da ASP reuniram-se na cidade alemã de Bad Münstereifel e decidiram transformar esta associação num partido, ao qual deram o nome de Partido Socialista.
Com a queda do Estado Novo, o Partido Socialista tornou-se uma organização legal em Portugal e foi adquirindo cada vez mais apoiantes junto do povo português. Daí resultaram as vitórias esmagadoras do Partido Socialista nas eleições de 1975 (que foram realizadas para eleger a Assembleia Constituinte e que foram o primeiro acto verdadeiramente livre em Portugal desde a queda do Estado Novo) e nas eleições de 1976, que se destinavam a eleger o I Governo.
Em 1980, o PS fundiu-se com a Frente Republicana e Socialista (FRS), com a Acção Social Democrata Independente (ASDI) liderada por Sousa Franco, e a União da Esquerda para a Democracia Socialista (UEDS) liderada por Lopes Cardoso. Por isso mesmo, em 1983 o PS voltou a ganhar as eleições legislativas.
Em 1985, antes da adesão de Portugal à CEE, o PS voltou a coligar-se, desta vez com o PSD, de Mota Pinto, no chamado Bloco Central. Contudo, nesse mesmo ano, o Bloco Central desfez-se e o PS, na altura liderado por Almeida Santos, perdeu as eleições legislativas.
Só em 1995 e em 1999 é que o PS, então liderado pelo engenheiro António Guterres, voltou a ganhar nas eleições legislativas. Contudo, aAs eleições de 2002, subsequentes à renúncia de António Guterres ao cargo de Primeiro-Ministro, em 2001, deram a vitória ao PSD.
Desde 2005, o PS encontra-se no Governo, liderado pelo Engenheiro José Sócrates. Em 2005, o PS ganhou as eleições com maioria absoluta e,em 2009, com maioria relativa apenas.
2- Evolução dos votos
Como se disse anteriormente, o PS, desde 1974, tem sido um partido que tem vindo a ver a sua projecção junto do povo português aumentar. Este aumento da popularidade reflecte-se, obviamente, nos resultados do PS nas eleições legislativas desde as primeiras eleições da 3ªRepública.
3-Juventude partidária
O PS possui uma organização independente do partido chamada Juventude Socialista. Esta organização aceita os princípios do PS aprovados no Congresso, a Declaração de Princípios e Programa do Partido Socialista, e pretende sobretudo criar uma sociedade mais justa e igualitária.
É constituída por jovens que se dizem insatisfeitos com o mundo em que vivem e defende a existência de uma sociedade livre de injustiças, desigualdades e de pobreza, que saiba respeitar e ser tolerante com as diferenças.
A Juventude Socialista pretende criar uma sociedade com um desenvolvimento sustentável e onde se respeite e proteja o ambiente.
Pretende também criar uma sociedade próspera e avançada culturalmente, que possa assegurar a todos educação e cuidados de saúde de qualidade, protecção social e emprego com direitos. Os membros da Juventude Socialista são internacionalistas e defendem a paz. É por esta razão que a intervenção política desta organização também passa pela procura e pelo combate à desigualdade, à pobreza e à guerra.
Figura 64- O símbolo do PS

Figura 65- Evolução da percentagem de votos do Partido Socialista nas eleições legislativas desde 1975
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Bloco de Esquerda
- Colocação de perguntas sobre a origem do partido
- Colocação de perguntas sobre os valores originais e actuais do partido
- Colocação de perguntas sobre a evolução dos votos desde a formação do partido
- Colocação de perguntas sobre a influência que a abstenção tem nos resultados do partido
- Colocação de perguntas sobre a adesão dos jovens ao partido
- Colocação de perguntas sobre medidas efectuadas pelo partido para chegar às pessoas
E, não havendo mais nada a tratar, deu-se por encerrada a entrevista.
Conclusões da entrevista
1-História do partido
O Bloco de Esquerda surgiu em 1999, devido ao facto de um grupo de movimentos de extrema-esquerda libertária terem decidido juntar-se por defenderem os mesmos princípios e valores. Estes partidos eram a UDP (União Democrática Portuguesa), de inspiração marxista, o PSR (Partido Socialista Revolucionário), um partido de inspiração trotskysta e defensor da Quarta Internacional, e da Política XXI, um partido português socialista.
Nessa altura, qualquer um destes partidos afirmava-se defensor dos ideais socialistas. Membro do Secretariado Unificado da IV Internacional, o PSR afirmava-se opositor do estalinismo e defensor do trotskysmo a UDP, geralmente associada ao maoísmo, apresentava-se como desligada de quaisquer referências no campo comunista internacional, posicionando-se em ruptura com todas as experiências de "socialismo real" e a Política XXI era o resultado, por sua vez, da união de ex-militantes do PCP, de herdeiros do MDP-CDE (Movimento Democrático Português-Comissão Democrática Eleitoral) e por independentes. Ainda houve várias pessoas que não tinham sido aderentes de outros partidos no passado, mas que já haviam mostrado identificar-se com os movimentos indicados, destacando-se, no grupo inicial, Fernando Rosas (a sua antiga filiação no PCTP-MRPP havia terminado há bastante tempo).
Desde a sua formação, o Bloco de Esquerda afirmou-se como uma nova força política derivada dos três partidos anteriormente citados e que tinha uma organização interna democrática mais baseada na representação dos aderentes do que no equilíbrio partidário. A adesão de novos militantes, sem ligação anterior a qualquer um dos partidos originários, contribuiu também para esse efeito.
O Bloco de Esquerda incluía ainda outros grupos e tendências, desde pequenos grupos políticos, como a Frente de Esquerda Revolucionária (FER), até grupos que, não sendo organizações políticas, eram grupos de interessem, como as mulheres, os homossexuais, os sindicalistas, os ambientalistas, entre outros. O Bloco reivindica a independência destes grupos em relação à política geral do partido.
Entretanto, os partidos que tinham dado origem ao Bloco de Esquerda foram-se extinguindo a pouco e pouco. A Política XXI já se extinguiu, tornando-se uma associação de reflexão política que se exprime numa das revistas do BE, a “Manifesto”. O PSR também se extinguiu, transformando-se igualmente numa associação que se exprime numa revista, a “ Combate”. Quanto à UDP, foi a última das organizações fundadoras a transformar-se em associação política, no início de 2005.
2-Os valores originais e actuais do partido
O Bloco de Esquerda ainda mantém os seus valores iniciais, afirmando-se desde sempre como um partido marxista e feminista e que se opõe ao racismo e à homofobia.
Este partido não é um partido estalinista, mas sim socialista, e os seus membros identificam-se com alguns aspectos do comunismo, como a abolição da propriedade privada, a defesa do ambiente e a nacionalização dos sectores de produção.
Contudo, apesar de ser um partido que defende valores e princípios específicos, o Bloco de Esquerda permite a existência de várias correntes de opinião e pensamento entre os seus membros (apesar de seguir um programa específico, os membros do Bloco de Esquerda aceitam a existência de várias opiniões sobre o mesmo).
Finalmente, o Bloco de Esquerda sempre se afirmou como um partido de massas, pois pretende não só angariar o número máximo de militantes que conseguir (preocupando-se, assim, mais com a quantidade dos seus militantes do que com a sua quantidade), como também transformar a forma de pensar da população.
3-Evolução dos votos no Bloco de Esquerda
Os resultados eleitorais do Bloco de Esquerda têm sido excelentes para um partido com apenas dez anos, pois há cada vez mais pessoas a votar neste partido como alternativa aos partidos que ocupam o poder (Partido Socialista e Partido Social-Democrata).
4-Influência da abstenção nos resultados eleitorais
Para o Bloco de Esquerda, a abstenção influencia os resultados do partido e é um fenómeno desolador, De facto, apesar do grande número de campanhas de sensibilização para o voto efectuadas, o Bloco de Esquerda não consegue impedir que haja um grande número de eleitores que se abstenham nos actos eleitorais (grande parte das campanhas efectuadas por este partido são dirigidas para os abstencionistas, numa última instância).
Contudo, este partido acredita que os elevados valores de abstenção também influenciam os resultados das outras forças partidárias (se não houvesse abstenção em Portugal, os resultados eleitorais deveriam ser bastante diferentes).
Para além disso, o Bloco de Esquerda considera que as pessoas já se preocuparam menos com a política e que a população portuguesa se preocupa cada vez mais em resolver os problemas sociais que afectam Portugal.
5- A adesão dos jovens ao Bloco de Esquerda
Devido ao facto de o Bloco de Esquerda ser um partido muito inovador e encontrar uma grande adesão junto do eleitorado urbano, podemos afirmar que a adesão dos jovens a este partido é muito elevada. Contudo, existe uma grande disparidade de idades dos membros que participam nas reuniões do partido.
Contudo, o Bloco de Esquerda não possui uma juventude partidária independente, mas sim apenas um grupo de trabalho formado por jovens que aderem aos ideais deste partido.
6- Medidas para chegar às pessoas
O Bloco de Esquerda efectua várias acções para angariar um grande número de simpatizantes e militantes.
Dentro destas acções, podemos falar, em primeiro lugar, da realização de sessões de esclarecimento abertas à população, nas quais os membros do Bloco de Esquerda dão informações relevantes às pessoas acerca deste partido.
Por outro lado, o Bloco de Esquerda possui espaços específicos na Internet, como os sites de discussão, um portal de notícias sobre o partido, actualizado com filmes novos todas as semanas, e ainda a criação de páginas no Facebook e no Hi5.
Estas são as medidas mais importantes que são realizadas para o Bloco de Esquerda para este se tornar um partido importante e popular junto da população portuguesa e conseguir, assim, mais votos nos actos eleitorais.

Figura 62- Francisco Louçã, o Secretário actual do Bloco de Esquerda

Figura 63-Evolução dos votos do Bloco de Esquerda desde 1999, o ano da formação deste partido
Coligação Democrática Unitária (Partido Comunista Português+ Partido Ecologista " Os Verdes")
- Colocação de perguntas sobre a origem do partido
- Colocação de perguntas sobre os valores originais e actuais do partido
- Colocação de perguntas sobre a evolução dos votos do partido
- Colocação de perguntas sobre a influência da abstenção nos resultados eleitorais
- Colocação de perguntas sobre a adesão dos jovens ao partido
- Colocação de perguntas sobre as medidas efectuadas pelo partido para angariar militantes e simpatizantes
E, não havendo mais nada a tratar, deu-se por encerrada a entrevista.
O partido tem origem na luta das classes operárias (anarquistas e socialistas revolucionários, que se regiam pelos ideais da revolução soviética. Assim surgiu o partido comunista no dia 6 de Março de 1921, (cujo 1º congresso se realizou 5 anos depois, nos dias 29 e 30 de Maio), que tinha como principal objectivo a luta dos operários e dos trabalhadores. No início, o partido era um partido de pequenas dimensões que, com o passar do tempo, foi aumentado o seu número de militantes. Este partido teve variadíssimos acontecimentos que foram tornando o partido mais visível aos eleitores. Em 1929 teve lugar a conferência de reorganização onde foram decididas as regras para o funcionamento do partido. Em 1931 realizou-se a 1º edição da Festa do Avante e dai para a frente (durante mais de 40 anos) circulou o jornal Avante, clandestinamente. Dois anos depois desta festa verificou-se uma crescente repressão por parte da PIDE aos comunistas e dentro do PCP cresce um clima de instabilidade. Em 1970 é constituída a União dos Estudantes Comunistas (UEC) que simbolizou uma revolta no movimento estudantil. E juntamente com esta revolta no movimento estudantil realizou-se também a revolta dos trabalhadores. A confiança e determinação do partido chegou no dia 25 de Abril de 1974, quando os comunistas permitiram o sucesso do golpe militar que pôs fim ao regime. Isto simbolizou uma grande vitória para o partido!
2 – Os valores originais e actuais do partido
O PCP é um partido popular, pois foi criado conforme o funcionamento do povo e não de uma elite. Um dos seus ideais é a distribuição justa da riqueza, contrariamente ao princípio do capitalismo que não promove uma distribuição justa da riqueza pela população. No capitalismo as empresas adquirem os meios de produção, os trabalhadores trabalham mas não podem adquirir os meios de produção, ou seja, os ricos ficam ainda mais ricos, e os pobres continuam pobres, pois o seu nível de vida dificilmente aumentará. É como resposta a isso que o partido defende uma riqueza igualitária, e para isso tem que ser a população a mobilizar-se em torno daquilo que a afecta. Outros ideais do partido são, por exemplo o combate à precariedade através do trabalho permanente/ contrato permanente; as propostas com valor imediato (exemplo: realização de nacionalizações em alguns sectores importantes para combater o desemprego); e a luta da população para ter os seus direitos adquiridos.
Na sua base, os ideais do PCP são os mesmos, mas o partido não parou no tempo, por isso molda as suas políticas aos problemas apresentados pela sociedade. Estes ideais são (como principal) a luta pela constituição de uma sociedade sem classes e acabar com a exploração do Homem pelo Homem; e a evolução das formas de actuação e de pensamento (adequadas às formas de pensamento).
3- Evolução dos votos do partido
5 – Adesão dos jovens ao partido
6-Medidas para chegar às pessoas
Para angariar simpatizantes e militantes, o PCP realiza inúmeros comícios partidários e eventos que permitam divulgar os ideais do partido. O exemplo mais famoso é " Festa do Avante", realizada todos os anos na Margem Sul e que junta grande parte dos simpatizantes do partido. Para além disso, o PCP também utiliza as redes sociais para divulgar os seus ideais e ter uma grande projecção junto da população jovem.
Figura 58- Jerónimo de Sousa, o actual Secretário-Geral do PCP
Figura 59-Evolução da percentagem de votos do PCP nas eleições legislativas desde 1975
Acta da entrevista ao Partido Ecologista "Os Verdes"
No dia 2 de Fevereiro de 2010, entre as 15:00 e as 15:45, tivemos uma entrevista na sede nacional do Partido Ecologista “ Os Verdes, na Rua da Boavista, nº83, 3ºDto, na freguesia de Santos-o-Velho, em Lisboa. As pessoas entrevistadas foram as Doutoras Cláudia Madeira e Susana Silva, que são umas das responsáveis pela administração da Ecolojovem, a juventude partidária do PEV. Esta entrevista decorreu de acordo com as seguintes actividades:
- Colocação de perguntas sobre a origem do partido
- Colocação de perguntas sobre os valores originais e actuais do partido
- Colocação de perguntas sobre a evolução dos votos do partido
- Colocação de perguntas sobre a influência da abstenção nos resultados do partido
- Colocação de perguntas sobre a adesão dos jovens ao partido
- Colocação de perguntas sobre as medidas efectuadas pelo partido para chegar às pessoas
Conclusões da entrevista ao PEV
1- Origem do partido
O PEV foi fundado em 1982, como consequência da vontade e da necessidade que um grupo de cidadãos sentia em criar um partido ecologista que tivesse preocupações ambientais e sociais. O objectivo principal do PEV era a defesa do desenvolvimento sustentável, não só a nível ambiental, mas também a nível social, político e económico. Assim sendo, a criação deste partido decorre da crescente preocupação que se sentiu em Portugal relativamente aos problemas ambientais que afectam o mundo em que vivemos e está relacionada com o desejo de criar um mundo sustentável, onde reine a justiça, a igualdade entre os cidadãos e a paz.
Para além disso, dois temas que motivaram a fundação do PEV foram a oposição à utilização da energia nuclear e o combate à implementação do eucalipto em Portugal, que se crê que iria acabar com a biodiversidade e seria nocivo para o ambiente.
2- Valores originais e actuais do partido
ualmente,o PEV mantém os mesmos ideais iniciais e crê que estes são necessários para combater o combate às desigualdades, às injustiças, à exclusão social e o desrespeito pelos direitos fundamentais que mesmo hoje em dia se verificam na Europa.
No entanto, o PEV considera que os seus objectivos têm de ser adaptados com o enquadramento social e ambiental e com a própria evolução da sociedade.
3- Coligações entre o PEV e outros órgãos governativos
O PEV tem-se sempre unido ao PCP e à Associação de Intervenção Democrática (que não é um partido político).
A Coligação Democrática Unitária (CDU) resulta da união do PCP com o PEV antes das eleições e é a coligação que vai sempre a votações nas eleições legislativas e europeias.
Esta coligação forma-se porque o PCP defende alguns valores de esquerda que o PEV defende (a protecção do ambiente, o apoio ao desenvolvimento sustentável, a crítica ao capitalismo, o combate à injustiça e às desigualdades e a defesa de uma sociedade igualitária). Isto faz com que haja um grande entendimento entre estas duas forças políticas.
A coligação entre o PCP e o PEV permitiu que os Verdes conseguissem eleger dois deputados para o Parlamento nas últimas eleições legislativas ( sem a CDU, o PEV não estaria representado neste órgão governativo). Consequentemente, o PEV pode actualmente apresentar projectos e propostas e tem um papel significativo na própria Assembleia da República.
Após as eleições, a CDU desfaz-se e o PEV tem um sentido de voto diferente do PCP no Parlamento (o PEV passa a ser independente do PCP). No entanto, o entendimento com o PCP mantém-se.
Por outro lado, o PEV e outros partidos fizeram nas penúltimas autárquicas uma coligação com a Câmara Municipal de Lisboa. No entanto, o PS desrespeitou as outras forças políticas que faziam parte da coligação e esta desfez-se.
4-Evolução dos votos
Apesar do PEV não ir a votações sozinho e formar uma coligação com o PCP, tem havido um crescimento considerável na votação da CDU, tanto no PCP como no PEV.
5- Influência da abstenção nos resultados do partido
O PEV preocupa-se com os valores elevados da abstenção em Portugal, pois acredita que este fenómeno influencia enormemente os resultados eleitorais e que se deve ao desinteresse geral da população pela política.
No entanto, apesar do voto é um espaço onde as pessoas podem expressar a opinião delas, o PEV considera que existem outras formas mais úteis e eficazes de participar politicamente (a participação em comícios e manifestações, a adesão a juventudes partidárias e a realização discussões nas redes sociais).
Para além disso, a percentagem de abstenção por parte do eleitorado dos Verdes e do PCP não é muito elevada (os eleitores que preferem os Verdes normalmente costumam sempre votar na CDU nas eleições). Isto faz com que a abstenção não tenha uma grande influência nos resultados do PEV e no PCP nas eleições nacionais. No entanto, a abstenção do eleitorado deste partido é menor nas autárquicas ( por existir uma maior proximidade entre os eleitores e os candidatos) e maior nas eleições para o Parlamento ( as pessoas não se sentem interessadas por este órgão governativo).
6-A adesão dos jovens ao PEV
Em primeiro lugar, o PEV acredita que os jovens não se encontram desinteressados pela política, mas que pode é existir uma certa insatisfação deste grupo social pela própria actuação dos políticos portugueses. É isto que, na opinião deste partido, pode provocar os elevados valores da abstenção neste grupo etário.
De facto, segundo as Doutoras Cláudia Madeira e Susana Silva, que são umas das responsáveis pela coordenação da Ecolojovem, a juventude partidária do PEV, os jovens interessam-se pela política, têm um conhecimento político razoável e acreditam que, para se fazer política, não basta votar de quatro em quatro anos.
O PEV tem uma grande percentagem de população jovem, pois é um partido moderno e que defende princípios partilhados por um grande número de membros deste grupo etário (a protecção do ambiente, o combate às desigualdades, a criação de uma sociedade mais justa e o apoio ao desenvolvimento sustentável, principalmente). Por isso mesmo, ao contrário dos outros partidos, este partido não sente necessidade de angariar um grande número de jovens.
De facto, a Ecolojovem, a juventude partidária do PEV, é um órgão bastante popular e que encontra uma grande adesão dos jovens portugueses.
Para além disso, este partido possui um grande número de jovens nos quadros dirigentes e administrativos do mesmo.
Os jovens com mais de 18 anos que fazem parte da Ecolojovem, para além de votarem nas eleições, também participam activamente em manifestações, em comícios e até nas discussões nos fóruns sociais (Facebook, Twitter e Hi5, principalmente). Para o PEV, estas são outras formas importantes de participar activamente em termos políticos na própria sociedade.
Concluindo, podemos afirmar que este partido, precisamente por defender princípios inovadores, encontra uma grande adesão junto da população jovem não tem jovens alistados que não se interessem por política nem que estejam pouco informados politicamente
Partido Operário de Unidade Socialista
No dia 12 de Janeiro de 2010, entre as 17:00 e as 18:30, o nosso grupo teve uma entrevista na sede nacional do Partido Operário de União Socialista, na Rua de Santo António da Glória, nº 52 B, cave C,em Lisboa . Os entrevistados foram a Doutora Carmelinda Pereira, Presidente do partido, e o seu marido, o Doutor Joaquim Pagarete.
Esta entrevista foi realizada de acordo com as seguintes tarefas:
- Colocação de perguntas sobre a origem do POUS
- Colocação de perguntas sobre os valores originais e actuais do POUS
- Colocação de perguntas sobre a evolução dos votos do POUS desde 1975
- Colocação de perguntas sobre a influência da abstenção nos resultados do partido
- Colocação de perguntas sobre a adesão dos jovens ao POUS
- Colocação de perguntas sobre as medidas efectuadas pelo POUS para angariar mais simpatizantes e militantes
E, nada mais havendo a tratar, deu-se por encerrada a entrevista.
Conclusões da entrevista
1-A origem do partido
O POUS nasceu em 1979 e era inicialmente formado por militantes expulsos do Partido Socialista por se terem oposto à política de Mário Soares de “meter o socialismo na gaveta”. Actualmente, o partido é constituído por trabalhadores e militantes da IV Internacional de Trotsky.
2-Os valores originais e actuais do POUS
O POUS sempre seguiu o Programa da IV Internacional, elaborado em 1938, e assume-se como o único representante em Portugal dos ideais do mesmo. Os militantes deste partido apoiam e difundem as bases económicas marxistas
( nacionalização dos sectores de produção e abolição da propriedade privada) e defendem que o capitalismo é um modelo económico que se alimenta de crises e guerras, sendo portanto necessário um modelo que o suplante.
3-A forma como o POUS vê a política do PS hoje em dia
Para o POUS, os socialistas não querem a sociedade mude porque isso iria necessariamente alterar os padrões de riqueza. O POUS também acredita que o PS sabe que o capitalismo está em ruptura e, portanto, que os membros deste partido analisam a realidade de forma marxista, neste aspecto.
4-A relação ideológica entre o POUS e o PCP
A principal divergência que existe entre o POUS e o PCP prende-se com o facto de o PCP estar ligado à referência da III Internacional da União Soviética e, consequentemente, à burocracia estalinista, ao passo que o POUS está ligado à IV Internacional e, portanto, ao marxismo considerado mais puro segundo Trotsky.
Na acção concreta de ambos os partidos, o POUS distingue-se e critica o PCP pelo facto de este último não fomentar e operar a revolução da classe trabalhadores.
5-Os aspectos que fazem com que os militantes do POUS considerem o seu partido importante para a sociedade portuguesa
O partido apoia os ideais da Quarta Internacional e, por isso acredita que a melhor politica para o país é a ajuda internacional entre os trabalhadores (movimento operário), a existência de sindicatos, a defesa da liberdade e a existência da Assembleia Constituinte. O POUS também é útil porque incentiva o direito à greve enquanto expressão do descontentamento dos trabalhadores. Por outro lado, este partido tem intervindo na elaboração das Constituições desde o 25 de Abril (enquanto representante dos defensores dos ideais de extrema-esquerda) e, portanto é bastante importante na vida politica portuguesa.
6-O POUS tem juventude partidária?
No período imediatamente a seguir ao 25 de Abril, o POUS era um partido com um grande peso político na sociedade portuguesa. Assim sendo, nessa altura, o partido possuía uma juventude partidária que, contudo, não era reconhecida como tal, pois não tinha a estrutura que uma juventude requeria para ser reconhecida oficialmente.
Todavia, o POUS hoje em dia não tem nenhuma juventude partidária, devido ao facto de a adesão dos jovens aos ideais do partido ter diminuído. Por isso mesmo, os membros deste partido têm o projecto para a criação de uma juventude em curso.
Contudo, este projecto tem sido difícil de ser concretizado, pois o POUS tem pouco tempo de antena nas campanhas para as eleições legislativas, o que impede que muitos dos jovens tenham um conhecimento aprofundado sobre este partido.
7 – O interesse dos jovens pela política de acordo com o POUS
Em Portugal, desde a década de 80 que se tem originado uma divisão entre a camada jovem e os trabalhadores. De facto, quando os jovens acabam o seu curso, não se sentem minimamente apoiados nem integrados no mercado de trabalho.
Por outro lado, as organizações de jovens são apenas organizações autónomas dos partidos que não intervêm na vida política nacional.
Finalmente, hoje em dia, não há ninguém de uma juventude partidária que esteja directamente ligado às associações de estudantes, pelo que estas não podem intervir na política portuguesa.
Para o POUS, após o Governo de Cavaco ter retirado a introdução à política, os jovens passaram a “viver no vazio” alheios aos seus direitos e deveres e sem terem conhecimento sobre a realidade politica portuguesa. A falta de informação das camadas mais jovens leva-as em direcção ao vazio existencial e origina uma falta de disponibilidade por tudo o que não tenha directamente a ver com a sua vida diária.
8-A adesão dos jovens ao POUS
Actualmente, não se verifica muita adesão dos jovens ao POUS. A comunicação social contribui para esta realidade dando, em primeiro lugar, uma má imagem da política e dos partidos que a ela estão associados e, em segundo lugar, não divulgando os partidos de expressão minoritária.
Também a falta de pessoas que estejam perto dos jovens e os acompanhem leva a esta realidade. Os jovens são deixados à sua sorte e não há ninguém que os puxe para a política e que esteja com eles para os ajudar a conhecer os seus direitos, deveres e história. A sociedade, por si própria, incute a individualização e difunde a ideia de “cada um por si”.
Para o POUS, nos últimos anos, a sociedade criou-se o estereótipo do jovem despreocupado, que vive a sua vida calmamente e que não se preocupa com o que acontece à sua volta. Este esquecimento da chamada “ força das massas” tem então prejudicado também a adesão dos jovens ao partido.
9 – A faixa etária que mais adere ao partido
Nas iniciativas do partido, a faixa etária que mais participa e adere é a população activa e, portanto, de idade adulta. No entanto, também os jovens e os idosos aderem ao POUS, embora em menor número do que os adultos.
10 – A influência da abstenção nos resultados do partido e na vida política portuguesa
A abstenção é mais uma consequência do que uma causa. Para o POUS, os elevados valores que se verificam em Portugal actualmente resultam da descrença que os governantes provocaram no povo devido ao constante ataque aos seus direitos. O POUS não desrespeita os abstencionistas mas tenta lutar para que haja mais estruturas democráticas na sociedade.
11 – A razão que leva aos elevados valores de abstenção em Portugal, de acordo com o POUS
Actualmente, existe um desinteresse das pessoas pela política, devido à acção tanto dos partidos como dos media junto da população. Este desinteresse faz com que exista uma falta de competência política dos jovens e com que estes não consigam votar conscientemente, preferindo, portanto, abster-se nos actos eleitorais.
Figura 55- Imagem representativa de um discurso proferido pela Doutora Carmelinda Pereira, a presidente do POUS, num comício do partido

Figura 57- Evolução da percentagem de votos do POUS desde as eleições legislativas de 1979
domingo, 2 de maio de 2010
Informações sobre os partidos políticos portugueses
Para isso, decidimos entrevistar nove partidos: o Partido Operário de União Socialista (POUS), o Bloco de Esquerda (BE), o Partido Comunista Português (PCP), o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV), o Partido Socialista (PS), o Movimento Esperança Portugal (MEP), o Partido Social-Democrata (PSD), o Partido Popular (CDS-PP) e o Partido Popular Monárquico (PPM). Contudo, destes nove partidos, não conseguimos entrevistar nem o PPM nem o PS.
De seguida, vamos apresentar os resultados das entrevistas que fizemos aos representantes dos partidos, entrevistas essas das quais retirámos dados muito importantes para o nosso trabalho. Por isso tudo, queremos agradecer a todos os membros dos partidos que entrevistámos ( a Doutora Carmelinda Pereira e o Doutor Joaquim Pagarete, do POUS, o Doutor Paulo Raimundo, do PCP, a Doutora Ana Feijão, do BE, a Doutora Cláudia Madeira, do PEV, o Doutor André Pardal, do PSD, o Doutor Diogo Belford Henriques, do CDS-PP, e o Doutor Rui Nunes da Silva, do MEP) a sua disponibilidade em nos receber e em colaborar no nosso projecto.
Vamos agora dividir os partidos por correntes ideológicas, de forma a tornar a apresentação mais interessante e clara.
Extrema-esquerda
Partido Operário de União Socialista
Partido Comunista Português
Bloco de Esquerda
Centro-esquerda
Partido Socialista
Centro
Movimento Esperança Portugal
Centro-direita
Partido Social-Democrata
Direita
Partido Popular
sábado, 1 de maio de 2010
Diferença entre Direita e Esquerda
A origem da dicotomia Esquerda – Direita nasce com a localização espacial dos grupos políticos no início das instituições parlamentares. Em 1789, na última reunião dos Estados Gerais em França antes da revolução, os grupos mais conservadores ( nobreza e clero) ocuparam o lado direito da câmara e os mais revolucionários ( Terceiro Estado) ocuparam o lado esquerdo da assembleia.
A oposição entre Direita e Esquerda nasce então com a Revolução Francesa. Opondo as duas facções, podemos compreender que estas são precisamente opostas. Se a Direita é monárquica a Esquerda é republicana, uma é católica e a outra é anti-clerical, uma é tradicionalista e a outra é progressista, uma é reaccionária e a outra revolucionária.
Após a Primeira Guerra Mundial, deu-se uma importante transformação na conceptualização da Esquerda e Direita. Depois da Revolução Bolchevique de 1917, na Rússia, a Esquerda desvia-se dos princípios iluministas e apoia-se num autoritarismo totalitário. Como resposta a este facto, a Direita sofre também uma alteração. Por influência do movimento fascista italiano de 1922, a Direita adopta uma orientação de massas socialmente revolucionária e economicamente intervencionista.
A dicotomia toma novos contornos logo após a Segunda Guerra Mundial. A derrota dos fascismos tem dois efeitos imediatos: em primeiro lugar dá-se uma valorização da Esquerda, que conquista uma hegemonia política, cultural, intelectual e informativa, e, em segundo lugar, verifica-se uma “camuflagem” da Direita, que tende a assumir-se como “centro”.
Surge então o chamado “complexo de esquerda”. Este complexo não é mais do que uma ideia generalizada no seio da população de que tudo o que é associado à Direita é mau e tudo o que é associado à Esquerda é bom. Este preconceito surge devido à derrota generalizada que os regimes fascistas sofrem no pós Segunda Guerra Mundial e que leva o comum da população a ver-se livre da repressão que estes regimes exerciam. Esta associação ainda hoje existe na sociedade actual devido à grande oposição entre Esquerda e Direita que se acentuou na 2ª metade do século XX. Sendo a Esquerda sinónimo de modernidade a Direita é passado, a Esquerda é justiça e a Direita privilégio, a Esquerda é um símbolo do progresso, da razão e da ciência e a Direita é um símbolo da irracionalidade e do obscurantismo. Todos estes adjectivos derivam de atributos, práticas e ideologias de cada uma das facções.
Figura 51-Imagem representativa da reunião dos Estados Gerais em França a 5 de Maio de 1789
Direita
Como já foi explicado, tanto a Direita como a Esquerda baseiam-se em teorias contratualistas. No caso da Direita, os seus alicerces são as teorias políticas de John Locke, Thomas Hobbes e Nicolau Maquiavel. Toda a construção política desta facção provém da teorização destes três pensadores.
A Direita baseia-se, em primeiro lugar, no pessimismo antropológico, ou seja, apoia-se na forma como o ser humano é descrito em O Príncipe, de Maquiavel, onde é dito que o ser humano é naturalmente mau. Esta ideia vai condicionar toda a forma direitista de ver a sociedade. Só esta maneira de conceber o Homem é que pode permitir a autoridade como forma de governo e o recurso à vigilância permanente e punição severa. O estado natural é visto como luta de todos contra todos, o que leva esta facção a rejeitar a utopia e a sociedade perfeita. Deste modo, a Direita rejeita a concepção linear da História e adopta a visão cíclica onde o caos e a ordem se sucedem regularmente, o que exige alguém que restitua a própria ordem. A Direita proclama o direito à diferença, recusando o igualitarismo, pelo que se baseia no sentido aristocrático da liberdade e na supremacia dos melhores.
Contrariamente à Esquerda, a Direita é uma grande defensora do direito à propriedade e do anti-economicismo (ideia de que a Política é mais importante do que a Economia). A Direita defende a iniciativa individual e a propriedade privada, admitindo a intervenção do Estado na Economia apenas em nome da autoridade. O materialismo histórico de Marx é rejeitado, bem como a luta de classes como motor da história, pois são os grandes homens e os heróis que modificam o rumo das sociedades.
Outro aspecto bastante importante da teoria de Direita é o nacionalismo. A Nação é considerada como valor essencial da ordem temporal, pelo que é necessário privilegiá-la e defendê-la. Resultado do contratualismo, surge o organicismo, que é a ideia de que o Homem e a sociedade estão interligados por uma teia orgânica de direitos, deveres, necessidades e ideias. Para a Direita, é natural que a sociedade se organize de forma hierárquica, já que as diferenças sociais são uma consequência óbvia e imediata da livre e desenfreada iniciativa económica. Para além de tudo isto, a Direita caracteriza-se pela flexibilidade de modelos, ou seja, oscila entre tendências liberais (os fins justificam os critérios de actuação; princípios menos rígidos) e tendências conservadoras (os critérios de actuação baseiam-se em princípios rígidos históricos ou religiosos anteriores à ideologia)
Dentro da Direita existem várias correntes: Libertarianos e Liberais Clássicos (liberais na economia e liberais nos costumes), Democratas-cristãos e Conservadores (liberais na economia e conservadores nos costumes) e Nacionalistas (conservadores na economia e nos costumes).
Figura 52-O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, a primeira obra importante que está na origem do pensamento de Direita actual
Esquerda
A Esquerda procura a determinação racional de uma sociedade perfeita e de um modelo evolutivo para essa sociedade. É filha da concepção contratualista de Jean-Jacques Rousseau e baseia-se na ideia de que o Homem é naturalmente bom (“mito do bom selvagem”).
O fundamento desta teoria remonta às utopias renascentistas de Thomas More e ao pensamento iluminista de Rousseau. O optimismo antropológico que caracteriza a Esquerda e que, no fundo, está na sua origem diz que, sendo o Homem naturalmente bom, é a sociedade histórica que o corrompe e o desvia da sua humanidade.
Para a Esquerda, a meta da evolução política é colocada numa sociedade perfeita e justa. É o chamado utopismo. A utopia tem duas vertentes: literariamente imaginada (utopia mítica) que é uma ideia-força que mobiliza os esforços do presentes; racionalmente construída (utopia operacional) que é um projecto intelectual e racionalista de modificação radical do sistema social. Uma utopia literária é encontrada na obra Utopia, de Thomas More, e a maior utopia construída contemporânea é o marxismo.
A Esquerda é também racionalista. Sendo assim, defende que a sociedade é composta por indivíduos racionais, que darão um impulso positivo à humanidade, no sentido do progresso, o que contraria a ideia pessimista de direita de que a sociedade é uma massa irracional e muito influenciável que conduzirá a sociedade para a mediocridade.
Os Esquerdistas acham ainda que a evolução histórica e social é linear, pelo que a civilização avança continuamente no sentido do desenvolvimento. O avanço da sociedade é compreendido através do materialismo histórico de Marx, pelo que a economia e as relações de produção estão na sua base. O que faz a sociedade evoluir é a constante tensão entre exploradores e explorados. Como tal, outro princípio esquerdista é o economicismo (ideia de que a Economia é mais importante do que a Política). Se são as relações de produção que fazem evoluir a civilização, então a economia terá de gozar de prioridade quanto aos outros assuntos.
Para além disso, a Esquerda é igualitária. Assim sendo, defende que o ser humano deve gozar de uma igualdade nas oportunidades e também na situação de vida e riqueza. Neste aspecto, vai para além das igualdades perante a lei que vigoram nas sociedades e constituições actuais. O Socialismo que marca a Esquerda torna imperativo que o corpo social seja sobreposto aos interesses do indivíduo. No âmbito económico o socialismo pode ser radical (economia plenamente planificada e dirigida pelo Estado) ou democrático e pluralista (centralização moderna da economia em que rege a propriedade privada).
Os Esquerdistas vêem a humanidade como um valor abstracto superior às comunidades históricas e concretas. Assim, o mundo não deve ter fronteiras e os povos devem estar unidos. Esta ideia está presente na mítica frase do Manifesto do Partido Comunista: proletários de todos os países, uni-vos! Este princípio entra em confronto directo com o nacionalismo da ideologia de Direita. Por último, a Esquerda é democrática, pois crê na soberania popular que determina uma “vontade geral” de bem e justiça.

Figuras 53 e 54-A Utopia, de Thomas More, e o Manifesto do Partido Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, duas obras de referência que estão na origem nas correntes de Esquerda actuais

