segunda-feira, 3 de maio de 2010

Bloco de Esquerda

Acta da entrevista ao Bloco de Esquerda

No dia 25 de Fevereiro de 2010, tivemos uma entrevista na sede do Bloco de Esquerda, na Avenida Almirante Reis, com a Doutora Ana Feijão, para obtermos informações sobre o partido. A entrevista decorreu de acordo com as seguintes actividades:
  1. Colocação de perguntas sobre a origem do partido
  2. Colocação de perguntas sobre os valores originais e actuais do partido
  3. Colocação de perguntas sobre a evolução dos votos desde a formação do partido
  4. Colocação de perguntas sobre a influência que a abstenção tem nos resultados do partido
  5. Colocação de perguntas sobre a adesão dos jovens ao partido
  6. Colocação de perguntas sobre medidas efectuadas pelo partido para chegar às pessoas

E, não havendo mais nada a tratar, deu-se por encerrada a entrevista.

Conclusões da entrevista



1-História do partido

O Bloco de Esquerda surgiu em 1999, devido ao facto de um grupo de movimentos de extrema-esquerda libertária terem decidido juntar-se por defenderem os mesmos princípios e valores. Estes partidos eram a UDP (União Democrática Portuguesa), de inspiração marxista, o PSR (Partido Socialista Revolucionário), um partido de inspiração trotskysta e defensor da Quarta Internacional, e da Política XXI, um partido português socialista.
Nessa altura, qualquer um destes partidos afirmava-se defensor dos ideais socialistas. Membro do Secretariado Unificado da IV Internacional, o PSR afirmava-se opositor do estalinismo e defensor do trotskysmo a UDP, geralmente associada ao maoísmo, apresentava-se como desligada de quaisquer referências no campo comunista internacional, posicionando-se em ruptura com todas as experiências de "socialismo real" e a Política XXI era o resultado, por sua vez, da união de ex-militantes do PCP, de herdeiros do MDP-CDE (Movimento Democrático Português-Comissão Democrática Eleitoral) e por independentes. Ainda houve várias pessoas que não tinham sido aderentes de outros partidos no passado, mas que já haviam mostrado identificar-se com os movimentos indicados, destacando-se, no grupo inicial, Fernando Rosas (a sua antiga filiação no PCTP-MRPP havia terminado há bastante tempo).
Desde a sua formação, o Bloco de Esquerda afirmou-se como uma nova força política derivada dos três partidos anteriormente citados e que tinha uma organização interna democrática mais baseada na representação dos aderentes do que no equilíbrio partidário. A adesão de novos militantes, sem ligação anterior a qualquer um dos partidos originários, contribuiu também para esse efeito.
O Bloco de Esquerda incluía ainda outros grupos e tendências, desde pequenos grupos políticos, como a Frente de Esquerda Revolucionária (FER), até grupos que, não sendo organizações políticas, eram grupos de interessem, como as mulheres, os homossexuais, os sindicalistas, os ambientalistas, entre outros. O Bloco reivindica a independência destes grupos em relação à política geral do partido.
Entretanto, os partidos que tinham dado origem ao Bloco de Esquerda foram-se extinguindo a pouco e pouco. A Política XXI já se extinguiu, tornando-se uma associação de reflexão política que se exprime numa das revistas do BE, a “Manifesto”. O PSR também se extinguiu, transformando-se igualmente numa associação que se exprime numa revista, a “ Combate”. Quanto à UDP, foi a última das organizações fundadoras a transformar-se em associação política, no início de 2005.



2-Os valores originais e actuais do partido

O Bloco de Esquerda ainda mantém os seus valores iniciais, afirmando-se desde sempre como um partido marxista e feminista e que se opõe ao racismo e à homofobia.
Este partido não é um partido estalinista, mas sim socialista, e os seus membros identificam-se com alguns aspectos do comunismo, como a abolição da propriedade privada, a defesa do ambiente e a nacionalização dos sectores de produção.
Contudo, apesar de ser um partido que defende valores e princípios específicos, o Bloco de Esquerda permite a existência de várias correntes de opinião e pensamento entre os seus membros (apesar de seguir um programa específico, os membros do Bloco de Esquerda aceitam a existência de várias opiniões sobre o mesmo).
Finalmente, o Bloco de Esquerda sempre se afirmou como um partido de massas, pois pretende não só angariar o número máximo de militantes que conseguir (preocupando-se, assim, mais com a quantidade dos seus militantes do que com a sua quantidade), como também transformar a forma de pensar da população.


3-Evolução dos votos no Bloco de Esquerda


Os resultados eleitorais do Bloco de Esquerda têm sido excelentes para um partido com apenas dez anos, pois há cada vez mais pessoas a votar neste partido como alternativa aos partidos que ocupam o poder (Partido Socialista e Partido Social-Democrata).


4-Influência da abstenção nos resultados eleitorais

Para o Bloco de Esquerda, a abstenção influencia os resultados do partido e é um fenómeno desolador, De facto, apesar do grande número de campanhas de sensibilização para o voto efectuadas, o Bloco de Esquerda não consegue impedir que haja um grande número de eleitores que se abstenham nos actos eleitorais (grande parte das campanhas efectuadas por este partido são dirigidas para os abstencionistas, numa última instância).
Contudo, este partido acredita que os elevados valores de abstenção também influenciam os resultados das outras forças partidárias (se não houvesse abstenção em Portugal, os resultados eleitorais deveriam ser bastante diferentes).
Para além disso, o Bloco de Esquerda considera que as pessoas já se preocuparam menos com a política e que a população portuguesa se preocupa cada vez mais em resolver os problemas sociais que afectam Portugal.



5- A adesão dos jovens ao Bloco de Esquerda

Devido ao facto de o Bloco de Esquerda ser um partido muito inovador e encontrar uma grande adesão junto do eleitorado urbano, podemos afirmar que a adesão dos jovens a este partido é muito elevada. Contudo, existe uma grande disparidade de idades dos membros que participam nas reuniões do partido.
Contudo, o Bloco de Esquerda não possui uma juventude partidária independente, mas sim apenas um grupo de trabalho formado por jovens que aderem aos ideais deste partido.


6- Medidas para chegar às pessoas


O Bloco de Esquerda efectua várias acções para angariar um grande número de simpatizantes e militantes.
Dentro destas acções, podemos falar, em primeiro lugar, da realização de sessões de esclarecimento abertas à população, nas quais os membros do Bloco de Esquerda dão informações relevantes às pessoas acerca deste partido.
Por outro lado, o Bloco de Esquerda possui espaços específicos na Internet, como os sites de discussão, um portal de notícias sobre o partido, actualizado com filmes novos todas as semanas, e ainda a criação de páginas no Facebook e no Hi5.
Estas são as medidas mais importantes que são realizadas para o Bloco de Esquerda para este se tornar um partido importante e popular junto da população portuguesa e conseguir, assim, mais votos nos actos eleitorais.








Figura 62- Francisco Louçã, o Secretário actual do Bloco de Esquerda




Figura 63-Evolução dos votos do Bloco de Esquerda desde 1999, o ano da formação deste partido

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