No dia 12 de Janeiro de 2010, entre as 17:00 e as 18:30, o nosso grupo teve uma entrevista na sede nacional do Partido Operário de União Socialista, na Rua de Santo António da Glória, nº 52 B, cave C,em Lisboa . Os entrevistados foram a Doutora Carmelinda Pereira, Presidente do partido, e o seu marido, o Doutor Joaquim Pagarete.
Esta entrevista foi realizada de acordo com as seguintes tarefas:
- Colocação de perguntas sobre a origem do POUS
- Colocação de perguntas sobre os valores originais e actuais do POUS
- Colocação de perguntas sobre a evolução dos votos do POUS desde 1975
- Colocação de perguntas sobre a influência da abstenção nos resultados do partido
- Colocação de perguntas sobre a adesão dos jovens ao POUS
- Colocação de perguntas sobre as medidas efectuadas pelo POUS para angariar mais simpatizantes e militantes
E, nada mais havendo a tratar, deu-se por encerrada a entrevista.
Conclusões da entrevista
1-A origem do partido
O POUS nasceu em 1979 e era inicialmente formado por militantes expulsos do Partido Socialista por se terem oposto à política de Mário Soares de “meter o socialismo na gaveta”. Actualmente, o partido é constituído por trabalhadores e militantes da IV Internacional de Trotsky.
2-Os valores originais e actuais do POUS
O POUS sempre seguiu o Programa da IV Internacional, elaborado em 1938, e assume-se como o único representante em Portugal dos ideais do mesmo. Os militantes deste partido apoiam e difundem as bases económicas marxistas
( nacionalização dos sectores de produção e abolição da propriedade privada) e defendem que o capitalismo é um modelo económico que se alimenta de crises e guerras, sendo portanto necessário um modelo que o suplante.
3-A forma como o POUS vê a política do PS hoje em dia
Para o POUS, os socialistas não querem a sociedade mude porque isso iria necessariamente alterar os padrões de riqueza. O POUS também acredita que o PS sabe que o capitalismo está em ruptura e, portanto, que os membros deste partido analisam a realidade de forma marxista, neste aspecto.
4-A relação ideológica entre o POUS e o PCP
A principal divergência que existe entre o POUS e o PCP prende-se com o facto de o PCP estar ligado à referência da III Internacional da União Soviética e, consequentemente, à burocracia estalinista, ao passo que o POUS está ligado à IV Internacional e, portanto, ao marxismo considerado mais puro segundo Trotsky.
Na acção concreta de ambos os partidos, o POUS distingue-se e critica o PCP pelo facto de este último não fomentar e operar a revolução da classe trabalhadores.
5-Os aspectos que fazem com que os militantes do POUS considerem o seu partido importante para a sociedade portuguesa
O partido apoia os ideais da Quarta Internacional e, por isso acredita que a melhor politica para o país é a ajuda internacional entre os trabalhadores (movimento operário), a existência de sindicatos, a defesa da liberdade e a existência da Assembleia Constituinte. O POUS também é útil porque incentiva o direito à greve enquanto expressão do descontentamento dos trabalhadores. Por outro lado, este partido tem intervindo na elaboração das Constituições desde o 25 de Abril (enquanto representante dos defensores dos ideais de extrema-esquerda) e, portanto é bastante importante na vida politica portuguesa.
6-O POUS tem juventude partidária?
No período imediatamente a seguir ao 25 de Abril, o POUS era um partido com um grande peso político na sociedade portuguesa. Assim sendo, nessa altura, o partido possuía uma juventude partidária que, contudo, não era reconhecida como tal, pois não tinha a estrutura que uma juventude requeria para ser reconhecida oficialmente.
Todavia, o POUS hoje em dia não tem nenhuma juventude partidária, devido ao facto de a adesão dos jovens aos ideais do partido ter diminuído. Por isso mesmo, os membros deste partido têm o projecto para a criação de uma juventude em curso.
Contudo, este projecto tem sido difícil de ser concretizado, pois o POUS tem pouco tempo de antena nas campanhas para as eleições legislativas, o que impede que muitos dos jovens tenham um conhecimento aprofundado sobre este partido.
7 – O interesse dos jovens pela política de acordo com o POUS
Em Portugal, desde a década de 80 que se tem originado uma divisão entre a camada jovem e os trabalhadores. De facto, quando os jovens acabam o seu curso, não se sentem minimamente apoiados nem integrados no mercado de trabalho.
Por outro lado, as organizações de jovens são apenas organizações autónomas dos partidos que não intervêm na vida política nacional.
Finalmente, hoje em dia, não há ninguém de uma juventude partidária que esteja directamente ligado às associações de estudantes, pelo que estas não podem intervir na política portuguesa.
Para o POUS, após o Governo de Cavaco ter retirado a introdução à política, os jovens passaram a “viver no vazio” alheios aos seus direitos e deveres e sem terem conhecimento sobre a realidade politica portuguesa. A falta de informação das camadas mais jovens leva-as em direcção ao vazio existencial e origina uma falta de disponibilidade por tudo o que não tenha directamente a ver com a sua vida diária.
8-A adesão dos jovens ao POUS
Actualmente, não se verifica muita adesão dos jovens ao POUS. A comunicação social contribui para esta realidade dando, em primeiro lugar, uma má imagem da política e dos partidos que a ela estão associados e, em segundo lugar, não divulgando os partidos de expressão minoritária.
Também a falta de pessoas que estejam perto dos jovens e os acompanhem leva a esta realidade. Os jovens são deixados à sua sorte e não há ninguém que os puxe para a política e que esteja com eles para os ajudar a conhecer os seus direitos, deveres e história. A sociedade, por si própria, incute a individualização e difunde a ideia de “cada um por si”.
Para o POUS, nos últimos anos, a sociedade criou-se o estereótipo do jovem despreocupado, que vive a sua vida calmamente e que não se preocupa com o que acontece à sua volta. Este esquecimento da chamada “ força das massas” tem então prejudicado também a adesão dos jovens ao partido.
9 – A faixa etária que mais adere ao partido
Nas iniciativas do partido, a faixa etária que mais participa e adere é a população activa e, portanto, de idade adulta. No entanto, também os jovens e os idosos aderem ao POUS, embora em menor número do que os adultos.
10 – A influência da abstenção nos resultados do partido e na vida política portuguesa
A abstenção é mais uma consequência do que uma causa. Para o POUS, os elevados valores que se verificam em Portugal actualmente resultam da descrença que os governantes provocaram no povo devido ao constante ataque aos seus direitos. O POUS não desrespeita os abstencionistas mas tenta lutar para que haja mais estruturas democráticas na sociedade.
11 – A razão que leva aos elevados valores de abstenção em Portugal, de acordo com o POUS
Actualmente, existe um desinteresse das pessoas pela política, devido à acção tanto dos partidos como dos media junto da população. Este desinteresse faz com que exista uma falta de competência política dos jovens e com que estes não consigam votar conscientemente, preferindo, portanto, abster-se nos actos eleitorais.
Figura 55- Imagem representativa de um discurso proferido pela Doutora Carmelinda Pereira, a presidente do POUS, num comício do partido

Figura 57- Evolução da percentagem de votos do POUS desde as eleições legislativas de 1979
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