Esquerda e Direita
A origem da dicotomia Esquerda – Direita nasce com a localização espacial dos grupos políticos no início das instituições parlamentares. Em 1789, na última reunião dos Estados Gerais em França antes da revolução, os grupos mais conservadores ( nobreza e clero) ocuparam o lado direito da câmara e os mais revolucionários ( Terceiro Estado) ocuparam o lado esquerdo da assembleia.
A oposição entre Direita e Esquerda nasce então com a Revolução Francesa. Opondo as duas facções, podemos compreender que estas são precisamente opostas. Se a Direita é monárquica a Esquerda é republicana, uma é católica e a outra é anti-clerical, uma é tradicionalista e a outra é progressista, uma é reaccionária e a outra revolucionária.
Após a Primeira Guerra Mundial, deu-se uma importante transformação na conceptualização da Esquerda e Direita. Depois da Revolução Bolchevique de 1917, na Rússia, a Esquerda desvia-se dos princípios iluministas e apoia-se num autoritarismo totalitário. Como resposta a este facto, a Direita sofre também uma alteração. Por influência do movimento fascista italiano de 1922, a Direita adopta uma orientação de massas socialmente revolucionária e economicamente intervencionista.
A dicotomia toma novos contornos logo após a Segunda Guerra Mundial. A derrota dos fascismos tem dois efeitos imediatos: em primeiro lugar dá-se uma valorização da Esquerda, que conquista uma hegemonia política, cultural, intelectual e informativa, e, em segundo lugar, verifica-se uma “camuflagem” da Direita, que tende a assumir-se como “centro”.
Surge então o chamado “complexo de esquerda”. Este complexo não é mais do que uma ideia generalizada no seio da população de que tudo o que é associado à Direita é mau e tudo o que é associado à Esquerda é bom. Este preconceito surge devido à derrota generalizada que os regimes fascistas sofrem no pós Segunda Guerra Mundial e que leva o comum da população a ver-se livre da repressão que estes regimes exerciam. Esta associação ainda hoje existe na sociedade actual devido à grande oposição entre Esquerda e Direita que se acentuou na 2ª metade do século XX. Sendo a Esquerda sinónimo de modernidade a Direita é passado, a Esquerda é justiça e a Direita privilégio, a Esquerda é um símbolo do progresso, da razão e da ciência e a Direita é um símbolo da irracionalidade e do obscurantismo. Todos estes adjectivos derivam de atributos, práticas e ideologias de cada uma das facções.
A origem da dicotomia Esquerda – Direita nasce com a localização espacial dos grupos políticos no início das instituições parlamentares. Em 1789, na última reunião dos Estados Gerais em França antes da revolução, os grupos mais conservadores ( nobreza e clero) ocuparam o lado direito da câmara e os mais revolucionários ( Terceiro Estado) ocuparam o lado esquerdo da assembleia.
A oposição entre Direita e Esquerda nasce então com a Revolução Francesa. Opondo as duas facções, podemos compreender que estas são precisamente opostas. Se a Direita é monárquica a Esquerda é republicana, uma é católica e a outra é anti-clerical, uma é tradicionalista e a outra é progressista, uma é reaccionária e a outra revolucionária.
Após a Primeira Guerra Mundial, deu-se uma importante transformação na conceptualização da Esquerda e Direita. Depois da Revolução Bolchevique de 1917, na Rússia, a Esquerda desvia-se dos princípios iluministas e apoia-se num autoritarismo totalitário. Como resposta a este facto, a Direita sofre também uma alteração. Por influência do movimento fascista italiano de 1922, a Direita adopta uma orientação de massas socialmente revolucionária e economicamente intervencionista.
A dicotomia toma novos contornos logo após a Segunda Guerra Mundial. A derrota dos fascismos tem dois efeitos imediatos: em primeiro lugar dá-se uma valorização da Esquerda, que conquista uma hegemonia política, cultural, intelectual e informativa, e, em segundo lugar, verifica-se uma “camuflagem” da Direita, que tende a assumir-se como “centro”.
Surge então o chamado “complexo de esquerda”. Este complexo não é mais do que uma ideia generalizada no seio da população de que tudo o que é associado à Direita é mau e tudo o que é associado à Esquerda é bom. Este preconceito surge devido à derrota generalizada que os regimes fascistas sofrem no pós Segunda Guerra Mundial e que leva o comum da população a ver-se livre da repressão que estes regimes exerciam. Esta associação ainda hoje existe na sociedade actual devido à grande oposição entre Esquerda e Direita que se acentuou na 2ª metade do século XX. Sendo a Esquerda sinónimo de modernidade a Direita é passado, a Esquerda é justiça e a Direita privilégio, a Esquerda é um símbolo do progresso, da razão e da ciência e a Direita é um símbolo da irracionalidade e do obscurantismo. Todos estes adjectivos derivam de atributos, práticas e ideologias de cada uma das facções.
Figura 51-Imagem representativa da reunião dos Estados Gerais em França a 5 de Maio de 1789
Direita
Como já foi explicado, tanto a Direita como a Esquerda baseiam-se em teorias contratualistas. No caso da Direita, os seus alicerces são as teorias políticas de John Locke, Thomas Hobbes e Nicolau Maquiavel. Toda a construção política desta facção provém da teorização destes três pensadores.
A Direita baseia-se, em primeiro lugar, no pessimismo antropológico, ou seja, apoia-se na forma como o ser humano é descrito em O Príncipe, de Maquiavel, onde é dito que o ser humano é naturalmente mau. Esta ideia vai condicionar toda a forma direitista de ver a sociedade. Só esta maneira de conceber o Homem é que pode permitir a autoridade como forma de governo e o recurso à vigilância permanente e punição severa. O estado natural é visto como luta de todos contra todos, o que leva esta facção a rejeitar a utopia e a sociedade perfeita. Deste modo, a Direita rejeita a concepção linear da História e adopta a visão cíclica onde o caos e a ordem se sucedem regularmente, o que exige alguém que restitua a própria ordem. A Direita proclama o direito à diferença, recusando o igualitarismo, pelo que se baseia no sentido aristocrático da liberdade e na supremacia dos melhores.
Contrariamente à Esquerda, a Direita é uma grande defensora do direito à propriedade e do anti-economicismo (ideia de que a Política é mais importante do que a Economia). A Direita defende a iniciativa individual e a propriedade privada, admitindo a intervenção do Estado na Economia apenas em nome da autoridade. O materialismo histórico de Marx é rejeitado, bem como a luta de classes como motor da história, pois são os grandes homens e os heróis que modificam o rumo das sociedades.
Outro aspecto bastante importante da teoria de Direita é o nacionalismo. A Nação é considerada como valor essencial da ordem temporal, pelo que é necessário privilegiá-la e defendê-la. Resultado do contratualismo, surge o organicismo, que é a ideia de que o Homem e a sociedade estão interligados por uma teia orgânica de direitos, deveres, necessidades e ideias. Para a Direita, é natural que a sociedade se organize de forma hierárquica, já que as diferenças sociais são uma consequência óbvia e imediata da livre e desenfreada iniciativa económica. Para além de tudo isto, a Direita caracteriza-se pela flexibilidade de modelos, ou seja, oscila entre tendências liberais (os fins justificam os critérios de actuação; princípios menos rígidos) e tendências conservadoras (os critérios de actuação baseiam-se em princípios rígidos históricos ou religiosos anteriores à ideologia)
Dentro da Direita existem várias correntes: Libertarianos e Liberais Clássicos (liberais na economia e liberais nos costumes), Democratas-cristãos e Conservadores (liberais na economia e conservadores nos costumes) e Nacionalistas (conservadores na economia e nos costumes).
Figura 52-O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, a primeira obra importante que está na origem do pensamento de Direita actual
Esquerda
A Esquerda procura a determinação racional de uma sociedade perfeita e de um modelo evolutivo para essa sociedade. É filha da concepção contratualista de Jean-Jacques Rousseau e baseia-se na ideia de que o Homem é naturalmente bom (“mito do bom selvagem”).
O fundamento desta teoria remonta às utopias renascentistas de Thomas More e ao pensamento iluminista de Rousseau. O optimismo antropológico que caracteriza a Esquerda e que, no fundo, está na sua origem diz que, sendo o Homem naturalmente bom, é a sociedade histórica que o corrompe e o desvia da sua humanidade.
Para a Esquerda, a meta da evolução política é colocada numa sociedade perfeita e justa. É o chamado utopismo. A utopia tem duas vertentes: literariamente imaginada (utopia mítica) que é uma ideia-força que mobiliza os esforços do presentes; racionalmente construída (utopia operacional) que é um projecto intelectual e racionalista de modificação radical do sistema social. Uma utopia literária é encontrada na obra Utopia, de Thomas More, e a maior utopia construída contemporânea é o marxismo.
A Esquerda é também racionalista. Sendo assim, defende que a sociedade é composta por indivíduos racionais, que darão um impulso positivo à humanidade, no sentido do progresso, o que contraria a ideia pessimista de direita de que a sociedade é uma massa irracional e muito influenciável que conduzirá a sociedade para a mediocridade.
Os Esquerdistas acham ainda que a evolução histórica e social é linear, pelo que a civilização avança continuamente no sentido do desenvolvimento. O avanço da sociedade é compreendido através do materialismo histórico de Marx, pelo que a economia e as relações de produção estão na sua base. O que faz a sociedade evoluir é a constante tensão entre exploradores e explorados. Como tal, outro princípio esquerdista é o economicismo (ideia de que a Economia é mais importante do que a Política). Se são as relações de produção que fazem evoluir a civilização, então a economia terá de gozar de prioridade quanto aos outros assuntos.
Para além disso, a Esquerda é igualitária. Assim sendo, defende que o ser humano deve gozar de uma igualdade nas oportunidades e também na situação de vida e riqueza. Neste aspecto, vai para além das igualdades perante a lei que vigoram nas sociedades e constituições actuais. O Socialismo que marca a Esquerda torna imperativo que o corpo social seja sobreposto aos interesses do indivíduo. No âmbito económico o socialismo pode ser radical (economia plenamente planificada e dirigida pelo Estado) ou democrático e pluralista (centralização moderna da economia em que rege a propriedade privada).
Os Esquerdistas vêem a humanidade como um valor abstracto superior às comunidades históricas e concretas. Assim, o mundo não deve ter fronteiras e os povos devem estar unidos. Esta ideia está presente na mítica frase do Manifesto do Partido Comunista: proletários de todos os países, uni-vos! Este princípio entra em confronto directo com o nacionalismo da ideologia de Direita. Por último, a Esquerda é democrática, pois crê na soberania popular que determina uma “vontade geral” de bem e justiça.

Figuras 53 e 54-A Utopia, de Thomas More, e o Manifesto do Partido Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, duas obras de referência que estão na origem nas correntes de Esquerda actuais
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