quarta-feira, 5 de maio de 2010

Partido Popular (CDS-PP)

No passado dia 29 de Janeiro de 2010, entre as 16:00 e as 16:45, o nosso grupo deslocou-se até à sede do CDS-PP no Largo Adelino Amaro da Costa, nº5, na freguesia da Madalena, em plena Baixa de Lisboa, a fim de falarmos com Diogo Belford Henriques, o chefe de gabinete da Presidência do partido. A entrevista decorreu com base em seis actividades:

  1. Colocação de perguntas sobre a origem do Partido
  2. Colocação de perguntas sobre os valores originais e actuais do partido
  3. Colocação de perguntas sobre a evolução do resultado dos votos do CDS-PP
  4. Colocação de perguntas sobre a influência da abstenção nos resultados do partido
  5. Colocação de perguntas sobre a adesão dos jovens ao partido
  6. Colocação de perguntas sobre medidas efectuadas pelo partido para angariar mais simpatizantes e militantes
E, não havendo mais nada a tratar, deu-se por encerrada a entrevista.



Conclusões da entrevista

1-História do partido

A data de formação do CDS-PP remonta a 19 de Julho de 1974. Os principais impulsionadores deste partido de entre os trinta fundadores originais foram Adelino Amaro da Costa, Diogo Freitas do Amaral, Xavier Pintado e Basílio Horta.
Nos primeiros tempos, a implantação do CDS na sociedade portuguesa foi difícil, visto que, em finais de 1974 e ao longo do ano de 1975, o país viveu numa época de grande instabilidade política, violência e anarquia. Por isso mesmo, neste período, as sedes dos partidos foram vítimas de assaltos de forças de extrema-esquerda.
Desde o golpe de 11 de Março de 1975 até 1978, com a afirmação das tendências de forças de extrema-esquerda no país, o CDS afirmou-se como um partido de oposição, por ser o único partido tradicionalista importante na altura.
Em Abril de 1976, os onze deputados do CDS na Assembleia Constituinte, os únicos que não- socialistas escolhidos pelas eleições legislativas de 1976, votaram contra a Constituição de 1976, por afirmarem que esta pretendia " conduzir o país rumo ao socialismo".
Em 1978, o CDS formou Governo com o PS, no II Governo Constitucional. Este governo tomou posse a 23 de Janeiro de 1978 e terminou o seu mandato a 29 de Agosto de 1978.
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Em 1979, o CDS fundiu-se com o PSD e o PPM, dando origem à Aliança Democrática (AD). que ganhou as eleições legislativas desse ano e do ano seguinte com maioria absoluta. Freitas do Amaral, o líder do CDS da altura, fez parte do governo, o que conferiu ao partido uma grande projecção a nível nacional.
No X Congresso do PSD, em 1993, o CDS passou a usar o nome de " Partido Popular".
Actualmente, o CDS-PP é um partido de direita e conservador e um dos principais partidos de oposição na Assembleia da República.
Ao longo dos anos, o CDS teve vários presidentes: Diogo Freitas do Amaral (de 1974 a 1982 e de 1988 a 1991), Francisco Lucas Pires (de 1983 a 1985), Adriano Moreira (de 1986 a 1988), Manuel Monteiro ( de 1992 a 1996), Paulo Portas ( de 1997 a 2005 e de 2007 à actualidade) e José Ribeiro e Castro (de 2005 a 2007).


2- Valores originais e actuais do partido

No início, a ideia dos fundadores do partido era criar um partido de base democrata-cristã que não se localizasse ideologicamente à esquerda, visto que, naquela altura, todos os partidos existentes se afirmavam de esquerda. O CDS (Partido de Centro Democrático e Social) seria então um partido que, embora não fosse de direita, seria o partido português mais à direita. Nos anos 90, o programa do partido sofreu algumas modificações pelo que este começou a assumir-se mais de direita. Hoje em dia, o partido mantém os ideais originais, embora tenha sofrido algumas alterações de programa.


3- Evolução dos votos

Quanto à questão da evolução dos resultados, o CDS sente-se bastante optimista, devido ao crescimento positivo destes resultados. Até ao final dos anos 70, verificou-se uma subida dos votos até aos 12%. Nos anos 80 (1984), estes resultados foram alvo de uma descida e, a partir daí, têm vindo a subir e a descer constantemente. Na actualidade, os resultados do partido estão em crescente expansão com Paulo Portas.


4- Influência da abstenção

Em primeiro lugar, a abstenção afecta a qualidade da democracia, pois, se há grande parte do eleitorado a não votar, a base de apoio do governo é substancialmente mais fraca e há menos pessoas a exprimir a sua vontade.

Para além disso, todos os partidos têm uma base sólida de votantes (pessoas que votam nesse partido sempre e incondicionalmente) e uma percentagem flutuante que vota por simpatia a determinados aspectos da campanha eleitoral (simpatia pelo líder, apresentação do partido ou medidas específicas que defende). Esta percentagem flutuante é a que tendencialmente se abstém de votar. Uma explicação para este facto prende-se com o facto de a simpatia de este tipo de eleitorado tem por um partido numas determinadas eleições, não é suficiente para os fazer interromper as suas e deslocarem-se até as mesas de voto.
Para além disso, existem hoje em dia partidos que não são particularmente afectados com a abstenção, como é o caso do CDS. A base eleitoral deste partido é sólida e mais rural (onde a abstenção é reduzida), não sendo ainda assim suficiente para fazer frente aos dois maiores partidos políticos portugueses (PS e PSD).
Para além disso, o CDS acredita que os elevados valores de abstenção que se encontram em Portugal têm origem no baixo, quase nulo, associativismo estudantil, no grande desinteresse que os jovens têm quanto à política e na falta de comunicação entre os partidos e as pessoas mais jovens.


5- Adesão dos jovens

Desde a sua formação, o CDS-PP tem acolhido muito apoio junto da população jovem. Por isso mesmo é que a sua juventude, a Juventude Popular ( antiga Juventude Popular) tem muitos membros com menos de 40 anos.


6- Medidas para chegar às pessoas

A participação que o partido sente por parte dos jovens está directamente ligada com as novas tecnologias. Nos últimos 2 anos o partido tem verificado uma crescente participação dos jovens através das redes sociais como o “Facebook”. Existe uma maior acessibilidade dos jovens para a discussão virtual, porque estes não precisam de sair de casa para o fazerem.
As novas tecnologias vieram trazer mais qualidade e acessibilidade à participação política, embora esta seja feita substancialmente em menor quantidade. Antigamente existia uma grande mobilização social com grandes comícios e debates. Hoje em dia, a participação política passa mais pelas novas tecnologias que individualizam muito esta realidade mas também a tornam mais cómoda.







Figura 71-Diogo Freitas do Amaral, um dos fundadores do CDS-PP e uma as figuras mais importantes do partido




Figura 72- Evolução dos votos do CDS-PP desde as eleições legislativas de 1975

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