quarta-feira, 5 de maio de 2010

Movimento Esperança Portugal

Acta da entrevista ao Movimento Esperança Portugal


No dia 5 de Fevereiro de 2010, entre as 15:30 e as 16:30, tivemos uma entrevista na sede nacional do Movimento Esperança Portugal (MEP), na Travessa das Pedras Negras, na freguesia da Madalena, em Lisboa. A pessoa entrevistada foi o Doutor Rui Nunes da Silva, o Secretário-Geral deste partido. Esta entrevista decorreu de acordo com as seguintes actividades:
  1. Colocação de perguntas sobre a origem do partido
  2. Colocação de perguntas sobre os valores iniciais e actuais do partido
  3. Colocação de perguntas sobre os resultados do partido nas primeiras eleições legislativas em que participaram ( eleições de 2009) e nas eleições europeias do mesmo ano
  4. Colocação de perguntas sobre a influência que a abstenção tem nos resultados do partido
  5. Colocação de perguntas sobre a adesão dos jovens ao partido
  6. Colocação de perguntas sobre as medidas efectuadas pelo partido para chegar às pessoas

E, não havendo mais nada a tratar, deu-se por encerrada a entrevista.

Conclusões da entrevista

1-História do partido

O Movimento Esperança Portugal (MEP) nasceu de um movimento cívico criado no final de 2007. Este movimento cívico não era mais do que um grupo de cidadãos que não viam os seus ideais representados nos partidos políticos portugueses e que teve necessidade de criar um movimento que defendesse os seus interesses.
Inicialmente, o Movimento Esperança Portugal não era considerado um partido e era apenas um organismo formado por quatro círculos concêntricos. Este organismo foi criado, portanto, como um movimento cívico que, apesar de tudo, evoluísse com o passar do tempo para um partido.
O fundador do MEP foi o Doutor Rui Marques, um médico e doutorado em comunicação social que foi secretário-geral do Centro Universitário Padre António Vieira, membro da Comissão Nacional de Juventude da Candidatura de Freitas do Amaral à Presidência da República ainda como estudante universitário e, em 1994, colaborador do governo de António Guterres.
Já em 2008, os membros do MEP tentaram organizar-se para que este movimento fosse reconhecido como um partido. Para isso, era preciso reunir 7500 assinaturas no Tribunal Constitucional, objectivo pelo qual os membros deste movimento lutaram ao longo deste ano.
Ao mesmo tempo, também se constituiu um pequeno secretariado executivo com o principal objectivo de elaborar o programa político e social deste movimento.
No dia 3 de Março de 2008, o MEP deixou de existir clandestinamente como movimento. Isto só aconteceu porque os membros deste partido organizaram em Fevereiro de 2008 o “ Manifesto Razão de Esperança”, no qual já estavam contidos os principais objectivos e os raios de acção deste movimento.
Em Março de 2008, os membros do MEP decidiram também tentar reunir as 7500 assinaturas necessárias para que o movimento fosse reconhecido no Tribunal Constitucional até ao Verão. Contudo, em Maio de 2008, já se tinham reunido 10 000 assinaturas e este movimento de inicialmente 60 pessoas já possuía 100 membros. Assim sendo, as assinaturas foram entregues no Tribunal Constitucional e, no dia 23 de Julho de 2008, o MEP foi oficialmente reconhecido como partido.
Em Outubro de 2008, o partido teve de organizar o seu primeiro congresso para eleger o seu presidente, os seus representantes e a sua estrutura interna. Neste congresso, ficou decidido que o presidente do MEP seria o Doutor Rui Marques e que o partido iria possuir uma direcção de 14 pessoas, uma mesa de congresso de 5 pessoas e um conselho de direcção próprio e que iria ser autónomo.
Para além disso, neste congresso, ficou decidido o primeiro programa ideológico do MEP e que este partido iria ter uma estrutura achatada (ou seja, iria ser dividido por núcleos compostos por temas ou regiões, em vez de ser dividido por distritais e concelhias). Assim sendo, este partido, ao contrário dos outros partidos, não iria ter uma estrutura hierarquizada e haveria uma melhor comunicação entre os órgãos do mesmo.
Em 2009, ano em que ocorreriam as eleições europeias, legislativas e autárquicas, o MEP decidiu concorrer a estes três actos eleitorais e estabelecer alguns objectivos para os mesmos.
Primeiro que tudo, este partido desejou obter pelo menos 80 000 votos nas europeias para ter representação no Parlamento europeu. Para isso, escolheu-se a Doutora Laurinda Alves para candidata a estas eleições e estabeleceu-se uma lista para 24 possíveis candidatos a este órgão. Elaborou-se também o programa das europeias com base no “ Manifesto Razão de Esperança”, o primeiro manifesto realizado pelo MEP.
Outro objectivo definido pelo MEP para 2009 era ter representação no Parlamento português. Para isso, antes das legislativas, o MEP realizou um programa de candidatura com medidas concretas e apresentou uma lista de 280 candidatos a deputados.
Para as eleições autárquicas, este partido estabeleceu como objectivo mínimo eleger um deputado para a Câmara Municipal do Porto e outro na Câmara Municipal de Lisboa. Contudo, este partido esperava ainda estar representado na Câmara Municipal de Aveiro). Por isso mesmo, o MEP só apresentou candidatura para as câmaras municipais destas três principais cidades.
Contudo, nenhuns dos objectivos estabelecidos pelo MEP para 2009 foram cumpridos: nas eleições europeias, este partido obteve apenas 55 000 votos (e não os 80 000 votos necessários para se eleger um deputado), nas eleições legislativas, obteve apenas 25 000 votos, que foram insuficientes para eleger um deputado por Lisboa e um pelo Porto, e, nas eleições autárquicas, nenhum dos candidatos do partido foi eleito. Consequentemente, actualmente, o MEP é um partido sem representação junto dos órgãos de poder e não tem qualquer funcionamento público.
Em Março de 2010, de forma a obter um maior número de votos nas próximas eleições, o MEP realizou um novo congresso para redefinir os seus objectivos e obter financiamento público.



2- O MEP ainda mantém os seus valores originais?

Actualmente, o MEP mantém os seus princípios e valores originais que estão contidos no seu programa ideológico. Estes princípios são os seguintes:


 A criação de uma ideologia comum a todas as pessoas e de uma mesa comum com lugar para todos (a afirmação prática e concreta da justiça social; a distribuição equitativa dos recursos; a promoção da igualdade de oportunidades; o respeito pela dignidade de cada um; a inclusão de todas as gerações; a protecção e reintegração dos mais vulneráveis; o combate à disciminação; a promoção dos direitos humanos)


 A criação de uma sociedade de famílias (a importância da família como unidade celular da sociedade; a melhoria da educação; a exigência da conciliação do trabalho com a vida familiar)

 A criação de uma cultura de pontes (a tolerância, o diálogo intercultural e inter-religioso, contextualizados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem; o respeito pelo Outro; a cultura da negociação para vitórias comuns; a elaboração de contratos sociais de médio ou longo prazo que atravessem ciclos políticos e mobilizem os cidadãos)


 O apoio ao desenvolvimento humano sustentável (a afirmação do desenvolvimento humano; a valorização do trabalho e da acção humana como contributo para o desenvolvimento individual e colectivo; a aposta na criatividade e na inovação para uma maior realização humana; a sustentabilidade através do bom uso dos recursos, da solidez das empresas e da ética dos negócios; a economia de mercado regulada para o serviço do bem comum; a valorização do empreendorismo a todos os níveis; a defesa do bem comum)


 A luta por uma democracia mais próxima dos cidadãos ( a criação de subsídios como base da governação da sociedade; a transparência política; o apoio à participação e discussão política em todas as idades; a dignificação da política)


 A solidariedade intergeracional ( necessidade de assegurar o futuro às novas gerações, garantindo-lhes educação e formação adequada, mas também protegendo os recursos naturais e contrariando acções humanas que possam contribuir para o desequilíbrio ecológico; o apoio à terceira idade; a valorização do envelhecimento activo e socialmente integrado; o reforço da cidadania sénior)

 A criação de um mundo interdependente e solidário ( a afirmação de um comércio global justo; a defesa dos interesses dos mais pobres; o combate às redes transnacionais de grande crime; a viabilidade da mobilidade humana protegida com vantagens para todas as partes; uma política externa que defenda os direitos humanos e o direito dos povo à auto-determinação, à liberdade e à paz)

Estes são os principais princípios defendidos pelo MEP desde o início, que, apesar de serem ambiciosos, são causas pelas quais se deve lutar. Porque o MEP acredita que “ Melhor é possível”.


3- Evolução dos votos

Como o MEP é um partido criado em 2008, ainda só concorreu às eleições europeias, legislativas e autárquicas de 2009. Assim sendo, não podemos determinar a evolução dos votos do partido. Contudo, o MEP espera, através da reformulação do partido e da criação de campanhas que informem os cidadãos, angariar mais votos nos próximos actos eleitorais.


4- A abstenção influencia os resultados eleitorais do partido?

Para o MEP, os elevados valores de abstenção que se verificam actualmente em Portugal são uma frustração, pois o partido faz tudo para ter visibilidade na sociedade portuguesa, apesar de não ter chegado a um grande número de pessoas por ainda não dispor dos meios disponíveis para tal.
No entanto, nos anos 2008 e 2009, o MEP chegou a mais de 25000 pessoas, embora grande parte dessas pessoas não tenham votado no MEP nas eleições ou se tenham abstido nas mesmas.
Para este partido, a maior frustração de todas sai os votos brancos e nulos das pessoas que vão votar, pois consideram que o número de votos nulos e brancos nas últimas eleições legislativas (170 000) foi muito elevado.
Outra frustração para o MEP é o voto útil, pois este foi a principal causa da descida de 55 000 para 25 000 votos neste partido das eleições europeias para as legislativas. Isto acontece porque o MEP é o segundo partido de muita gente que, contudo, no momento do acto eleitoral, não votam nele, mas sim no seu partido preferido.

5-A adesão dos jovens ao MEP

O MEP é um partido com muitos jovens e que encontra sobretudo uma grande adesão no público jovem urbano.
De facto, a maioria dos membros das mesas de voto do MEP são jovens pertencentes ao eleitorado jovem urbano, pois é difícil para a geração adulta actual, que passou pelo 25 de Abril, ainda aceitar este partido.
Os jovens são também os que mais aderem ao MEP pois têm liberdade cívica e de voto e não sentem a necessidade de votar nos grandes partidos negligenciando os mais pequenos.
Este partido encontra uma forte adesão no eleitorado jovem até aos 35 anos e uma adesão média dos 35 aos 45 anos.
Assim sendo, podemos concluir que o MEP é um partido muito inovador e moderno que, precisamente por isso, capta uma percentagem muito significativa da população jovem portuguesa , principalmente os jovens que vivem nos centros urbanos.


6- Medidas para chegar às pessoas

O MEP tem procurado cada vez mais chegar às pessoas de forma inovadora, utilizando para isso novas tecnologias para sensibilizar a população. Para sensibilizar os mais jovens, este partido procura utilizar sobretudo as novas tecnologias e os fóruns sociais ( Facebook, Hi5 e Twitter, principalmente).
Para o eleitorado com mais idade, este partido procura elaborar políticas que cheguem mais às pessoas, como a solidariedade intergeracional, e tenta utilizar também os novos meios de comunicação para chegar à população adulta ( o MEP não existe na televisão mas existe na Internet e nos blogues e, por isso, pode também ser divulgado pela população de mais idade que saiba usar as novas tecnologias).
Todas estas medidas se destinam a angariar mais apoiantes para o MEP e a tornar este partido mais importante dentro da própria sociedade portuguesa.






Figura 66- Simbolo do Movimento Esperança Portugal







Figura 67- Cartaz de apoio a Laurinda Alves, a cabeça de lista do MEP nas eleições europeias de 2009



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